Porque fazer humor e podcast é uma arte

































Torturas da Euba – Só que ao contrário!


Autor: Eubalena ~ 11 de novembro de 2011. Categorias: Torturas da Euba.

Hoje não tem tortura. Esse post vai ter fazer vomitar um arco-iris de mashmallow fofinho com calda de chocolate quente.

O que é essa Isadora, minha gente? Que vontade de esmagar, apertar e não largar mais essa menina!

 

Linda!

Acho que to precisando ter um bebê!

Euba


Momento Eu que fiz, posso babar!


Autor: Eubalena ~ 4 de novembro de 2011. Categorias: Cantinho das Monas, Mona em Família, Tiras.

Coró, (meu pequeno gênio de 6 anos) adora as tirinhas da Mafalda (também conhecida como Raquel Gompy) e do Flávio Soares ( A Vida com Logan). Daí que a menina passa os seus dias fazendo desenhos e tirinhas por culpa dos dois.

Como toda boa mãe babona, acho que todo mundo tem o direito de ver a obra prima de Coró.

 

Euba


E esta geração?


Autor: Eubalena ~ 22 de fevereiro de 2011. Categorias: Cantinho das Monas, Mona em Família.

Sou filha de um comerciário e de uma dona de casa. Nasci e cresci numa cidade pequena no litoral sul de Santa Catarina onde existia  uma única escola no bairro e era pública.

Nessa escola estudavam crianças de toda a cidade: filhos do prefeito, dos médicos, dos advogados, dos diretores das duas maiores empresas da cidade, filhos de empregadas domésticas, crianças que usavam estojo importado e alunos que recebiam seu material escolar da “caixa” – o material era comprado com verba da Associação de Pais e Professores (APP) e doado para alunos carentes.

A turma que estudei, muitos eu conheci no jardim de infância (também público), ficou junta durante oito anos. Depois da oitava série muitos foram estudar na capital e outros ficaram por ali mesmo. Desta turma formaram-se advogados,  engenheiros, médicos, enfermeiras. Alguns empresários, professores. Outras resolveram virar donas de casa.  Mas todos, todos, tem algo em comum: sabemos o nosso lugar na sociedade porque recebemos educação de nossos pais. Uma educação baseada no conhecimento de nossos limites e no respeito pelo outro.

Sou de um tempo, e não é tão distante assim, em que meus problemas na escola eram resolvidos com diálogo entre os envolvidos e não com chutes, socos e assassinatos.

Por outro lado, durante a minha infância, era raro o pai que não dava palmadas corretivas nos filhos. Eu levei, mas não faço mesmo com minha filha. Não faço não só por achar uma covardia, mas porque sei que não funciona. Sim! Comigo palmada nunca funcionou. O choro passava e eu sabia que a dor da palmada era momentânea. Mas só aprendi isso depois de pensar muito na forma de educação que queria dar. O que me colocava na linha era o castigo. Não usar o brinquedo favorito, por exemplo, sempre me fez mudar uma atitude errada.

Mas educar filhos sempre foi um dilema. A geração passada sempre deixa claro que a sua educação foi melhor que a geração atual. O que tenho visto nos últimos anos me deixa muito assustada com o mundo que está sendo preparado para minha filha. E me vejo falando as mesmas frases que minha avó e mãe falavam.

Já lí muitas mães perguntando nas comunidades de Orkut qual palavra deve ser usada no lugar de não. Eu, na minha profunda ignorancia, não consigo entender no que ouvir não pode atrapalhar o desenvolvimento de uma criança. Já vi mãe, pedagoga, falar com a professora do filho para que ela nunca corrigisse o aluno. Já vi pais que evitam repreender os filhos para não parecer que estão contra a criança.

Eu sou mãe há 5 anos. Não sei nada ainda sobre educar filhos, mas penso que educar alguém é ensiná-lo a conviver com o filho de outra família, que foi educado de uma forma diferente, que pode ter valores diferentes. Então, a base da minha educação é o respeito. Ensino minha filha a respeitar o outro.

Quando se tem respeito por alguém e seus princípios e valores, os seus também são respeitados. Ser educado não é ser fraco, como muitos pensam. É saber se impor, saber esperar, saber oferecer e receber, saber viver em um meio social.

Euba


Diário de Casamento: O NOIVADO – Com a palavra, o noivo!


Autor: Eubalena ~ 22 de março de 2010. Categorias: Mona em Família.

Eu confesso que já até havia cogitado casar quando em outro relacionamento, mas nunca tive certeza. No entanto, com a Áurea, eu sempre tive certeza que seríamos namorados e que iríamos casar desde as primeiras semanas.

Durante os nossos dois anos de namoro, toda vez que passávamos em frete a uma loja de jóias, a Áurea sempre era imediatamente atraída para a vitrine da mesma como se tivesse sido puxada por um forte imã e eu não conseguia tirá-la de lá até ela ver todo o mostruário. Então, como se diz no ditado “quando não consegue vencê-la, junte-se a ela” eu resolvi também olhar os anéis e colares juntamente com ela e foi numa dessas olhadas que vi um anel muito bonito com o símbolo do amor em japonês encravado nele, o qual imediatamente identifiquei, pois sou super fã de Naruto (Aparece esse símbolo bastante no anime) e não porque sei japonês, apesar de gostar muito da língua.

Passado mais um tempo e de tanto passar nessa loja e babar nesse anel juntamente com o amor de minha vida, decidimos que ele seria a nossa aliança, pois ela é descendente de japoneses e eu gostei muito mesmo do anel. Mas foi depois de eu ter sido chamado para tomar posse em um órgão que tiver de comprar as alianças mesmo, pois havia prometido à futura noiva que iríamos casar quando eu passasse em um concurso.

Dito e feito! Encomendamos as alianças, marcamos o noivado para um mês depois da compra e convidamos a família e os melhores amigos que, em sua maioria, iriam ficar sabendo que seriam nossos padrinhos só na hora mesmo. Fizemos questão de lembrar a todos várias vezes para não faltarem ao evento, pois queríamos dar a notícia a todos de uma vez, só que não contávamos com um imprevisto.

Acontece que a loja de jóias só poderia entregar as alianças personalizadas um mês depois da compra, o que nos deixou bem aflitos (mais a ela do a mim), pois poderíamos não recebê-las a tempo para o noivado. Pois bem, na semana do noivado não é que as alianças ainda não haviam chegado de São Paulo, onde foram confeccionadas? Nesse momento vocês mulheres, podem até imaginar a aflição da quase noiva,né? Era toda hora ligando na loja pra saber se as alianças já tinham chegado, tanto que a vendedora já tinha até separado um par de alianças do nosso tamanho (se bem que do tamanho da dela ninguém tem!) para não fazer feio perante a família e amigos.

Felizmente, depois de muita espera na véspera do noivado recebemos a ligação da loja para irmos pegá-las. Foi muito bom ver o sorrisão dela de felicidade quando chegamos lá e finalmente experimentamos as tão esperadas alianças.

A partir daí foi tudo tranquilo, para ela, pois eu não sabia que teria que fazer um discurso convincente no momento da troca de alianças e tive que improvisar na hora contando um pouco do que contei até aqui para vocês e até brinquei com o inacreditável tamanho oito do dedo dela.

Pelo visto todos gostaram, pois muitos ainda emendaram o meu discurso avisando que a vida de casados não é nada fácil, mas nos desejando muitas felicidades na maior jornada de nossas vidas.

Jônatas


DIÁRIO DE CASAMENTO – “O Namoro”


Autor: Eubalena ~ 17 de março de 2010. Categorias: Mona em Família.

Namorados

Vou contar lhes agora, resumidamente, o que aconteceu durante o namoro até o dia do nosso noivado.

Bom, durante o namoro foi um pouco conturbado, eu não queria apresentar aos meus pais o Jônatas e nem queria dizer que estava namorando porque não tinha certeza se daria realmente certo. Então tinha que inventar desculpas para encontrá-lo.

Uma semana depois do pedido de namoro pensei em terminar, achando que ele não tinha nada a ver comigo, que nossos gostos eram totalmente diferentes e que não me sentia bem por não contar aos meus pais, mas pensei e falei com Deus: “seja o que o Senhor quer. Se for para o meu bem, ajude-me a cultivar e conquistar esse amor, senão, por favor, mostre-me para não magoar-me mais”. E graças a Deus mostrou-me que ele é o homem da minha vida.

Chegou ao ponto que meu pai não deixou que eu saísse com o Jônatas para dançar com medo de que algo acontecesse comigo, fiquei tão chateada com aquilo que chorei de raiva. Depois de um tempo e de muita conversa com o Jônatas concordamos que eu contaria a meus pais sobre o nosso namoro. Sentei-me com meus pais no quarto e contei. Falei como Jônatas era uma pessoa bacana e que um dia iria apresentar lhes. No dia seguinte, combinei encontrar o Jônatas no shopping e meus pais foram para conhecê-lo, (detalhe: não contei ao Jônatas que ira apresentar meus pais a ele), quando nos encontramos apresentei-os.

Pense no clima chato que ficou, porque eu não contei a ele antes para preparar o espírito. Mas deu certo, graças a Deus. Minha mãe sempre ligava para saber meus passos (coisas de mãe) até pouco tempo antes do noivado. Foi muito difícil, mas vencermos essa fase.

Um belo dia recebi um scrap de uma amiga que me perguntava se o meu namorado era realmente o Jônatas. Fiquei desesperada, achando que ela tinha uma bomba para contar sobre ele. E para minha surpresa e alívio, descobri que a família dela e amicíssima da família dele, assim como é da minha também, veio em minha mente: “Ufa! Essa passou perto”. Depois que meus pais souberam que a família dele conhecia a família dessa amiga, relaxaram um pouco mais.

E o dia que conheci minha sogra. Nossa! Que medo dela não gostar de mim (acho que toda mulher passa por isso), de que eu não seria a mulher certa para o filho, tudo mais. Mas para a minha sorte deu tudo certo, nos afeiçoamos de cara. Passou-se um tempo, conheci meu sogro. Não fiquei tão preocupada como fiquei com minha sogra, porém ela já havia conquistado.

Depois de um ano e meio de namoro começamos a cogitar ficarmos noivos. Já olhando as alianças para o noivado, decidindo quem seriam os padrinhos do casamento e tudo mais.

Como sou apressadinha, os padrinhos já estavam definidos pela minha parte.  Só faltava o noivo conseguir um emprego fixo, vida de nutricionista em Brasília não é fácil. Com a convocação do Jônatas a apresentar-se no Ministério para fazer parte do quadro de funcionários e eu com meu emprego daria para levar a diante. Conversamos com nossas famílias, para anunciar que ficaríamos noivos em setembro de 2009, sem data prevista, pois aguardávamos a chegada dos meus sogros da cidade onde residem. Como dia 06/09/2009 tinha um casamento para ir e dia 07/09/2009 os sogros já estariam pegando a estrada cedo, marcamos o noivado para o dia 05/09/2009, chamamos os padrinhos e amigos mais chegados para a ocasião. Foi o momento mais feliz da minha vida, até o momento. Na hora do pedido ficamos um pouco perdidos, pois não havíamos planejado nada, mas valeu a pena. Todos falaram um pouco, meus pais, os pais dele, alguns padrinhos, fiz uma força danada para não chorar de emoção. Ouvir o apoio e o carinho que todos tinham com a gente, foi maravilhoso.

Desde o começo do namoro sempre deixei claro que o casamento não é apenas flores e que também teríamos que enfrentar tempestades (assim como enfrentamos até hoje), mas caberá a nós unirmos para superá-las. Somos criados diferentes, temos manias e jeitos diferentes de pensar e resolver algo, mesmo com tantas diferenças, conseguimos encontrar nossa igualdade.

Confesso que não sou muito de conversar, expor o que sinto ou esteja pensando (na maioria das vezes, coisas ruins), meu lado oriental faz com que pensemos melhor antes de falar e às vezes guardamos da pessoa e assim ela nunca saber. E o Jônatas tem esse lado bom, sempre me incentiva a falar o que penso, mesmo não querendo, e no fim das contas sempre entramos em um consenso. Brigas? Sempre temos e sempre tentamos resolver sem ter que lavar a roupa suja na frente dos outros. E quem não briga hoje? Só não podemos deixar extrapolar, deixar o desrespeito tomar conta de tudo. Tenho aprendido muito com ele e sei que ele também tem aprendido comigo.

Acho que casamento é isso, a cumplicidade, o respeito mútuo, o batalhar para construirmos uma família descente, entender a opinião do outro, passar por dificuldades e conseguir achar uma solução juntos. Como uma das madrinhas disse no meu noivado: “É comer um saco de sal juntos todos os dias, difícil no começo, mas você acostuma e encontra outras maneiras diferentes de saborear o sal, mas sempre juntos.” É bem por aí. Graças a Deus, temos dois casais como exemplo de um casamento em nossas vidas, nossos pais. E são neles que buscamos espelhar.

Áurea Midori, a noiva


CARRAPATINHO DO PAI


Autor: Eubalena ~ 15 de abril de 2009. Categorias: Mona em Família.

Nada como um feriadão de sexta a domingo para poder descansar um pouco. Afinal, trabalhando direto nos últimos tempos, caiu como uma luva para mim esses três dias livres.

Nos meus planos, estava previsto colocar a leitura de alguns livros e o sono em dia, ir no shopping comprar uma calça nova, convidar a esposa para assistir a estreia da semana no cinema, entre outras coisas mais. Só que, depois de uns cinco minutos pensando em tudo isso, a minha esposa vem com aquele jeito de que vai pedir algo, chega e convida - na realidade é uma intimação - para passarmos o feriado de Páscoa na casa da mãe dela! Nessa hora, os meus planos, que estavam se organizando dentro do balão de pensamentos em cima da minha cabeça, igual aos dos desenhos animados, se evapora: PUFF!!!!

Então vamos lá! Combinamos de sair na sexta de manhã. Mas como homem e mulher não se comunicam, já começamos bem: quando disse que sairíamos na sexta de manhã, para ela, era sete da manhã já estar na estrada! Para mim, era acordar às nove, até as onze horas ter tudo arrumado e partir até o meio dia! Era feriado, oras! Bem, onze horas saímos. Eu emburrado porque ela estava me pressionando para ir logo e ela brava porque queria já estar na casa da mãe dela! O ponto positivo de tudo isso é que a viagem foi um sossego só: dois emburrados nos bancos da frente e a minha filha dormindo no banco de trás. Ela é assim mesmo. Andou cinco quilômetros, já dorme.

A estrada estava lotada de carros. Mas com um pouco de paciência, chegamos. Eu vim armado para passar o fim de semana sem internet (só o do celular, mas não conta), sem televisão (desculpa, mas estou em um nível que assistir em tv de 29 polegadas de tubo e sem home theater, me irrita muito), e sem minha cama macia.

Juntei tudo o que pude para distrair minha filha: pipas, bicicletas, patinete, kit de pintura, máquina de fotografar, bonecas, jogos (cai não cai, pula macaco), gibis da turma da mônica para ler para ela antes de dormir e um monte de outras coisas.

Já que não tinha mesmo negociação, tentei aproveitar o máximo que pude para brincar com a minha Pititiu.

Acontece que minha esposa, quando chega na casa da mãe dela, parece que automaticamente liga um botão e o cérebro dela diz para ela mesma: “Estou em casa, como nos anos antes de casar.” e simplesmente quer saber de descansar, ler, comer e conversar – fofocar – com a mãe dela! Sabe como é: cidade pequena, quer saber tudo o que aconteceu com todos.

Daí, a Pititiu fica só para mim! Eu dou atenção, ela gruda em mim. Foi assim na sexta, no sábado e no domingo. Como eu realmente gosto de brincar com ela, levei numa boa e por mais longo que parece ser três dias, eles passaram rápido. Brincamos muito.

Tentei falar com a minha esposa para que ela aproveitasse mais o momento e brincasse com a Pititiu. Confesso que ela até tenta. Mas são só cinco miutos e perde a paciência. Não consegue entrar na brincadeira. Já disse para ela que irá um dia olhar para trás e se arrepender. Pois o tempo passa muito rápido. Outro dia minha pititiu nasceu. Hoje já tem cinco anos.

Pois então, o feriadão que era para ser de descanso, foi de canseira. Mas valeu o esforço, pois quando chegamos em casa no fim do domingo, cheios de tanto chocolate, ela me disse:

- Pai! Foi muito divertido esse final de semana. Eu adorei.

P.S.: Agora que descobri de onde veio tanta energia! Dá-lhe chocolate!


MONA EM FAMÍLIA: Jovens X Família – uma história de amor e proteção


Autor: Phoebe ~ 16 de fevereiro de 2009. Categorias: Cantinho das Monas, Mona em Família.

Para um adolescente, nada é mais irritante do que ter seus programas vetados pelos seus pais. Um choppinho inocente com os amigos, uma viagem com a turma do pré-vestibular, um acampamento naquela praia meio distante. “Não, você não pode ir”, e para o jovem aquela frase soa como se fosse o fim do mundo.

Quando se é jovem, a gente nunca consegue entender completamente esses vetos dos nossos pais. Digo, esses vetos dos pais que se preocupam com seus filhos – já que, infelizmente, a tendência atual dos pais é “deixar correr solto”, confundindo liberdade com omissão.

Por mais que os pais tentem explicar os motivos da sua recusa, nenhuma frase no mundo é capaz de convencer um jovem de que há, sim, um motivo muito forte para que seus pais tenham vetado aquele programa aparentemente inocente. Um motivo que ele só será capaz de entender completamente quando tiver seus próprios filhos. Lembra-se de quando, após dizer um “não”, sua mãe completou a frase dizendo: “Você só vai entender quando for pai”? É a mais pura verdade!

Depois que se tem um filho nos braços, a gente entende que nossa principal função nesse mundo é amá-lo e mantê-lo a salvo de todos os perigos. E quantos perigos! Nos primeiros meses, são as típicas doenças da infância, aliadas a um despreparo de boa parte dos médicos de plantão. Você abre o jornal e vê casos de crianças morrendo de dengue hemorrágica e corre para a farmácia para comprar todo o estoque de repelentes. Entra no Orkut e vê um tópico citando que o filho de uma moça da comunidade está com leucemia, à beira da morte, e nesse momento já fica imaginando que irá congelar o cordão umbilical do seu próximo filho para poder ter uma alternativa caso uma desgraça dessas desabe sobre seu teto. No portal de notícias que você costuma acessar, vê a notícia de um bebê de dois meses que foi ao pronto-socorro com problemas respiratórios e acabou morrendo em decorrência de um medicamento fortíssimo e desnecessário prescrito pela pediatra de plantão, e nesse momento acaba lembrando que, quando sua filha tinha apenas um mês, a médica de plantão tentou medicá-la com um antibiótico proibido para menores de 12 anos e que você, por sorte ou intuição, não permitiu.

Depois eles começam a andar e você inevitavelmente será atraído pelas notícias sobre mortes decorrentes de acidentes domésticos. Percebe uma movimentação na casa em frente ao prédio onde você trabalha e descobre que o menino de 2 anos que morava ali acabou de morrer afogado na piscina, depois de um descuido da babá, e nesse instante você agradece a Deus por não ter piscina em casa e por seu filho estar em uma creche segura, e não nas mãos de uma babá. Mas no dia seguinte você lê outra notícia sobre uma criança que morreu engasgada na creche e sente um desespero por saber que não pode ficar em casa cuidando do seu filho e que, infelizmente, precisa confiar na creche onde seu filho está agora.*

Não é por outro motivo que, sempre que um casal engravida, alguém mais experiente acaba dizendo a fatídica frase: “Acabou-se o sossego de vocês”. É a mais pura verdade. Acabou-se o sossego não por serem as crianças agitadas ou terríveis, nada disso. Acabou-se o sossego porque agora você tem o seu coração batendo fora do seu peito, no corpo de uma pessoinha que você ama muito mais do que a si mesmo.

O mundo todo adquire um novo significado. Notícias que antes eram lidas com displicência agora viram motivo de angústia e apreensão. Choramos pelo João Hélio por imaginar a dor de sua mãe, vendo o filho ser arrastado pelo carro. Choramos pela Eloá por imaginar o desespero de seus pais, que nada puderam fazer para salvar sua vida. Cada caso de violência ou morte envolvendo crianças e adolescentes mexe conosco de forma intensa, pois nos colocamos no lugar dos pais daquela criança ou adolescente.

Portanto, quando o filho chega aos 18 anos, isso significa que seus pais carregam uma bagagem de 18 anos de notícias sobre os perigos dessa vida. Quando a filha pede para acampar em companhia de uma amiga, os pais dizem “não” por lembrarem o caso de duas adolescentes que viajaram escondidas dos pais e acabaram sendo mortas por um maníaco em Pernambuco. Quando os pais permitem que o filho vá a uma festa sob a condição de que volte para casa de carona com eles, fazem isso por lembrar das dezenas (centenas?) notícias de jovens que pegaram caronas com amigos embriagados e nunca mais voltaram para casa.*

Para os pais, o desafio é ter discernimento para permitir que os filhos tenham a liberdade necessária, evitando assim a superproteção, que é prejudicial ao crescimento de qualquer indivíduo.

Para os filhos, há que se ter muita paciência e carinho, sabendo que seus pais só fazem isso porque os amam, lembrando sempre que um dia eles também serão pais e farão o mesmo para proteger seus filhos.

Beijos da Phoebe!

* Todos os exemplos citados são verídicos.


Uma crônica de Natal


Autor: Phoebe ~ 26 de dezembro de 2008. Categorias: Cantinho das Monas.

Meados dos anos 80. Eu, muito pequena ainda, aguardava pela chegada do Papai Noel desde o final de novembro. Lembrava dos anos anteriores e esperava ansiosamente pela repetição do momento mágico, o ponto alto da noite de Natal: durante a ceia na casa do vovô, todos à mesa, um leve sininho tocava lá fora. Aos pulos, corríamos para a porta na expectativa de flagrar Papai Noel saindo sorrateiramente, mas desistíamos da idéia ao verificar que, ao lado dos sapatinhos que havíamos deixado no quintal, encontravam-se os presentes que havíamos pedido em nossas cartinhas.

A dinâmica da noite de Natal era sempre a mesma, uma rotina doce e conhecida, o que me fez acreditar que cada família deveria criar suas próprias tradições em datas especiais e mantê-las no decorrer dos anos. Na cozinha, o cheiro divino dos alimentos que comporiam a nossa ceia. As crianças, indóceis, correndo pela cozinha enorme da casa do avô, divertindo-se com martelos e nozes (em uma época em que as nozes não eram vendidas já sem a casca).

Cada pessoa da família tinha seu papel definido. O vovô, coitado, muitas vezes funcionava como babá dos netos, levando-os para a pracinha central da minúscula cidade. Nunca desconfiamos, mas hoje vejo que era nesse momento de folga que nossos pais desentocavam os presentes que o Papai Noel deixaria na varanda mais tarde. A mãe passava o dia inteiro na cozinha preparando a ceia, ora cantarolando alegremente músicas de Natal, ora deixando escapar lágrimas que sabíamos ser de saudade. Saudade da vovó, que partira alguns anos antes e, até então, representava aquele papel principal: o de cozinheira oficial da ceia de Natal. Ao pai cabia a função de distrair a criançada e aplacar a ansiedade geral (“essa ceia que não fica pronta nunca”, “esse Papai Noel que não chega”). A ele incumbia também toda a ginástica necessária para manter viva a crença no bom velhinho. Durante a ceia, pedia licença para “ir ao banheiro” e, longe da nossa vista, pulava a janela para tirar os presentes de seu esconderijo e deixá-los na varanda, ao lado dos nossos sapatinhos. Certa vez atendeu ao pedido do meu irmão e entregou exatamente o que ele havia pedido: “uma piscina cheia de água”. Montou uma daquelas piscinas antigas, feitas com madeira, forrou-a com a lona e a preencheu com água, tomando todo o cuidado para não fazer barulho.

Tudo pronto, bastava aguardar pelo sininho do Papai Noel e lá estava a criançada toda satisfeita, já iniciando a contagem regressiva para o Natal do próximo ano.

Corta a cena. Agora estamos em meados dos anos 2000, aguardando ansiosamente pela chegada do Papai Noel. Não eu, que já não sou mais aquela garotinha. Agora represento outro papel, o da mãe da criança que aguarda a chegada do bom velhinho. Já não temos mais o nosso avô; agora quem representa esse papel é o meu pai, o vovô da única garotinha da casa.

Durante a ceia, toca um sininho lá fora. A família inteira pula da mesa, incentivando minha filha de 3 aninhos a correr para a varanda. Ela congela na porta de saída, exatamente como eu fazia quando era pequena. Nem preciso perguntar, já sei o que ela sente: medo de sair depressa demais e encontrar Papai Noel por lá ainda. Eu a asseguro de que ele já partiu e só então ela corre para ver o que foi deixado ao lado do seu sapatinho, sorrindo ao ver uma caixa grande e colorida.

Volto meus olhos para o passado e percebo que os atores mudaram e permanecerão mudando sempre, e isso é bom, traz uma sensação de conforto e paz. Um dia serei eu a levar meus netos para a pracinha da cidade na noite de Natal.

Beijos da Phoebe!


All you need is love…


Autor: Eubalena ~ 16 de novembro de 2008. Categorias: Cantinho das Monas.

A vida é uma senhora enigmática. Coisas acontecem e quando a gente menos espera aquela pessoa passa na tua frente e tudo sai do lugar.

Palpitações, frio na barriga, primeiro oi, primeiro beijo, primeiro grande passo juntos e mais uma vez a rotina já era.

E, de repente, dois viram três. E esse menor, mais fraco e mais frágil terceiro passa a comandar a vida daqueles outros dois. Rotina? Já perdeu o significado há muito tempo. Rotina não existe quando se tem uma pessoa crescendo, mudando e te mudando a todo instante.

Agora são dois a cuidar de um e, mais tarde, esse um vai cuidar dos dois – ou de um só, se a vida ou o destino ou o tempo forem mais rápidos.

E essa pequena terceira pessoa de hoje, vai crescer e encontrar uma outra terceira pessoa da vida de outros dois e eles darão continuidade a esse fascinante capricho da vida.

Sim,  a vida é caprichosa quando se trata de amor.

Cada um recebe um tipo de amor: amor bandido, amor para sempre, amor de segundos… E dentre todos eles, o melhor é o amor que te dá paz.

O amor que te completa, que te dá a certeza que é ali mesmo o teu lugar e que não queres sair nunca.

Um amor novo e um antigo. Um amor que vai crescendo lentamente por 9 meses e parece que não cabe dentro de ti e o outro que surge do nada, como uma trombada.

Esses dois amores de sensações tão diferentes e tão iguais na intensidade é que me fazem ter certeza que a vida é muito mais e que eu quero ir com eles, os 3 juntos, até o final,

Este post é dedicado ao casal Maria e José Pasqualotto de Coronel Vivida – PR , avós do Thiago, que há 60 anos celebram o seu amor.

Para o Coró

E para o marido – espero que cheguemos juntos aos 60!

Eubalena.





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