Porque as mulheres não vem com manual de instruções
























Mona Pop - The Corrs


Autor: musicmoon ~ 29 de julho de 2009. Categorias: Mona POP.

A banda das três irmãs e do irmão Corr começou a fazer sucesso no fim da década de 90, mas nasceu por causa da audição do filme The Commitments, de 1991, aonde Andrea, a vocalista da banda, tinha uma fala como a irmã do protagonista. John Hughes os encontrou assim, e então consolidaram a banda.

Filhos dos músicos Gerry e Jean Corr, tiveram educação musical desde cedo, e todos tocam piano, além dos instrumentos que tocam na banda. Andrea toca flauta irlandesa, além de cantar. Sharon toca violino, Caroline toca bateria e percussão, Jim toca guitarra e acordeon. Eles nasceram e cresceram em Dundalk, ao norte da Irlanda, e atualmente quase todos moram em Dublin. Apenas Sharon mora em Belfast, na Irlanda do Norte.

A banda The Corrs, além de fazer muito sucesso com sua música e estar na marca dos sessenta milhões de álbuns vendidos pelo mundo, já fez parceria com outros artistas como Alejandro Sanz (com a música Una Noche, que é liiiinda!), Bono (U2), Sheryl Crow, Ron Wood (Rolling Stones) e outros.

Sharon, além de tocar violino muito bem, ainda faz a segunda voz, juntamente com Caroline, a percussionista. Mas o que mais me chama atenção é que, às vezes, ela faz as duas coisas ao mesmo tempo. Quero dizer, Sharon segura o violino com o queixo (não se segura o violino na mão, ele é preso entre o ombro e o queixo, enquanto a mão desliza sobre ele para tocar) ENQUANTO canta a segunda voz. Isso é muito difícil! Experimente segurar algo como se fosse um violino enquanto canta alguma coisa. Ela faz isso, e muito bem.

Beijos,

Luana


Música A Capella?


Autor: musicmoon ~ 23 de junho de 2009. Categorias: Mona POP.

Esses dias surgiu uma dúvida ao meu redor sobre música  vozes e música a capella. Todos já ouviram essas expressões. Mas nem todos sabem exatamente o que elas significam. Então vamos a elas:

1. Música a capella: a expressão “a capella” vem da Itália, e significa “à moda da capela”. Antigamente, os fiéis das igrejas cantavam sem acompanhamento de instrumentos musicais. E é exatamente isso que o termo quer dizer: sem acompanhamento instrumental. Uma peça a capella é aquela que é só cantada. Sabe quando os candidatos dos programas tipo American Idol vão fazer a primeira audição, sem acompanhamento? Pois é, eles estão cantando a capella. Aqui você pode ver o vídeo da primeira audição de Kelly Clarkson.

2. Música a vozes: aquela música que não é só a uma voz (tá, eu sei que não expliquei nada com isso, hehe =D). Enfim, é uma música onde não é só a melodia que se ouve. Cada pessoa, ou cada grupo de pessoas (naipes, nos coros) canta uma voz diferente da outra, mas o conjunto é harmônico, soa bem. Neste vídeo do @fabiobass você vê uma versão da música É Preciso Saber Viver a onze vozes (cada um dos rostos está cantando uma coisa diferente, sim). Mesmo que alguma voz esteja imitando a bateria, continua sendo a capella, porque só tem voz. O mesmo acontece nesse vídeo fantástico do grupo VocaPeople (só tem voz!!!).

Então, música a capella pode ser a uma voz só ou a vozes, e música a vozes pode ser a capella ou acompanhada. Percebeu a confusão? E ela piora pelo fato de existir grupos que cantam músicas a vozes, de vez em quando a capella e de vez em quando não. Mas espero ter conseguido deixar isso um pouquinho mais claro =D

Gostou de música a vozes? Se quiser procurar mais grupos, indico fortemente Rockapella (veja este vídeo com solo Jeff Thacher, que faz percussão vocal!), Swingle Singers, Take Six, Vocal 5, Expresso 25 e, se você gosta de um rock mais pesado, Van Canto.

Beijos!

Luana


Mona Pop: Regina Spektor


Autor: musicmoon ~ 16 de junho de 2009. Categorias: Mona POP.

Quero contar uma pequena história pra vocês hoje:

Há um tempo atrás, tocava numa novela - que não me lembro qual era - uma música chamada Fidelity (presta atenção que lindo o jogo de cores nesse vídeo, que começa todo em preto e branco!!!), cantada por uma voz feminina suave e um pouco aerosa. A voz não era cristalina, verdade. Era meio sussurrada. Mas a voz, assim como a música, era tão fofa, tão boa de ouvir… Aquelas de colocar no carro e andar por aí num dia feliz, sabe? Mas nem fui atrás de saber quem ela era. Pensei que era uma daquelas cantoras de um sucesso só.

Um dia, então, cheguei na casa do meu irmão e ele me disse, todo empolgado: “Olha só, vem cá, quero que tu ouças essa cantora, ela é fantástica!”. Então fui. Sentei do lado do computador dele meio com medo do que viria. Porque sei lá, gosto não se discute. Vai que eu não gosto da menina que ele diz que é fantástica, como vou dizer isso a ele? Enfim, sempre tem um jeito, eu sei. Mas eu esperava realmente gostar da tal cantora, pra que ele ficasse feliz. Principalmente porque essa situação, de ele me mostrar alguma música, cantor ou etc. só tinha acontecido uma ou duas vezes.

Aí começou a tocar uma música chamada Poor Little Rich Boy (sim, ela toca piano com a mão esquerda e toca percussão - numa cadeira - com a mão direita!!!). Ritmicamente interessante, com uma percussão alternativa… E aquela voz. Não reconheci de primeira, mas sabia que já tinha escutado em algum lugar. Comentei sobre os ritmos quebrados da música, difíceis de fazer por alguém que não tivesse estudado um pouquinho de música… E comentei que tinha a impressão de conhecer aquela voz de algum lugar. Ele disse: “Ah, tu deves ter ouvido essa aqui, que estava tocando na novela”, e colocou Fidelity pra tocar. E eu pensei: “Uou, a menina aquela, que eu achei ótima, não é uma simples cantora pop!”.

Fui então pesquisar sobre ela e descobri que Regina Spektor é russa. Rachmaninoff, Rubinstein, Tchaikovsky, Stravinski, Prokofiev, Shostakovitch e muitos outros russos são reconhecidíssimos na música erudita. Mas não lembro, na música popular, alguém desse país que tenha chamado atenção. Nascida em Moscou, seu nome se escreve Регина Спектор no alfabeto cirílico (bonitinho, não?). Filha de um violinista amador e de uma professora universitária de música, Regina aprendeu a tocar piano ainda criança. Com nove anos sua família deixou o país, e eles passaram pela Áustria e pela Itália antes de se estabelecer no Bronx, em Nova Iorque, onde ela continuou seus estudos musicais. Já falei que sou uma TCK? Então, ela também é.

Misturando música clássica, hip hop, rock, punk ao cenário do Antifolk na cidade de Nova Iorque, chegamos ao som da pianista, cantora e compositora. E as letras… ah, as letras. Regina geralmente canta em inglês, embora algumas vezes inclua palavras ou versos em Latim, Russo, Francês e outras línguas em suas músicas, que falam de amor, morte, religião (particularmente referências bíblicas e Judaicas), vida na cidade (particularmente referências a Nova Iorque) e muitas, muitas referências à literatura.

Pra quem gosta de um som mais alternativo, Regina Spektor é uma ótima pedida. Vai lá e ouve os discos dela. Pricipalmente o Begin to Hope, que é o que tem a música Fidelity. Aquela, da novela, sabe?

Beijos e boa semana!

Luana


Músicas infantis internacionais (mas internacionais meeeesmo!)


Autor: musicmoon ~ 2 de junho de 2009. Categorias: Mona POP, Ursinho da Monalisa.

Esta semana surgiu no trabalho o tema Repertório Infantil Internacional, e acabei pesquisando a respeito do assunto. Resolvi então compartilhar com vocês essa experiência tão… interessante…?

1. Ookina kuri no ki no shita de


Ookina kuri no ki no shita de (Debaixo da castanheira) é uma canção infantil japonesa (warabe uta), com coreografia que alude ao tema. Lá no Youtube tem até a letra original pra acompanhar. Sua tradução significa: “Vamos brincar, você e eu, alegremente, debaixo da grande castanheira” (tá certo, Doduti? =D).


Savez-vous planter les choux (Sabem plantar as couves?) também é muito bonitinha! Ele vai falando partes do corpo com que se “plantam as couves”. Pés, joelhos, cotovelos, nariz… Quem sabe o seu filho não se interessa por aprender um pouquinho de francês? Detalhe pros sapinhos dançantes, lindos!

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Tenho medo dessa menina da Indonésia. Na verdade tenho medo do que ela pode estar cantando. Alguém consegue traduzir? Ela me lembra a Maísa. Ou não, acho que a Maísa ainda me dá mais medo.

Assisti muitos desses durante a semana. Aqui ainda tem um chinês que achei muito bonitinho (por causa dos porquinhos) e um trenzinho russo.

Tudo isso pra dizer que conhecemos nosso folclore e as crianças adoram. Mas o folclore é uma forma de manifestação cultural, e é importante que elas compreendam que as expressões folclóricas estão relacionadas com a formação étnica do povo. Acho importante as crianças terem contato com a maior quantidade de culturas e folclores possíveis. Afinal, cultura é tudo na vida de um ser humano, não é? O que vocês, mães, acham?



Bebê rock´n´roll - ninando seu filho com estilo


Autor: Phoebe ~ 27 de maio de 2009. Categorias: Cantinho das Monas, Mona em Família.

Que nossas canções de ninar são uma tragédia, isso não é novidade para ninguém - inclusive vários humoristas já fizeram troça com os versos tragicômicos das nossas cantigas de roda.

Desde que me vi com a incumbência de ninar minha filha, sabia que jamais a embalaria ao som de “Boi da cara preta, pega essa menina que tem medo de careta”. Como na época eu não conhecia muitas músicas infantis, o jeito foi improvisar cantando canções que eu sabia de cor - mas de cor eu só conhecia os “rocks” que passei a adolescência inteira ouvindo.

E foi assim que, ainda recém-nascida, minha filha foi apresentada aos maiores sucessos do Guns ´n´ Roses, Nirvana e Bon Jovi.

Com as músicas do Nirvana o efeito não foi lá muito interessante, não sei se devido à minha incapacidade de transformar os gritos viscerais do Kurt Cobain em sussurros maternais, ou em razão das próprias letras das músicas - afinal, como cantar para um bebê o verso “I wish I could eat your cancer when you turn black”? Não tem clima, né?

Já com o Guns o negócio fluiu com mais facilidade, especialmente com a música “Sweet Child O´Mine”, que deve - ou deveria - ser o hino de todos os pais que têm sob seus cuidados uma doce garotinha.

Mas foi uma música do Bon Jovi que cumpriu com perfeição a função de embaladora oficial das sonecas da minha filha: “Blaze of Glory”. Foi engraçado constatar que a menina caía em sono profundo ao me ouvir cantar “Well, I´ve seen love come, I´ve seen it shot down, I´ve seen it die in vain… Shot doooooown, in a blaze of gloryyyy”. Mais engraçado ainda foi constatar há algumas semanas que, mesmo depois de 3 anos, “Blaze of Glory” continua sendo um Lexotan para os ouvidos da pequena: numa noite dessas, voltando para casa depois da escola, essa música tocou no CD-player e, quando virei para trás, lá estava a menininha dormindo profundamente!

Portanto, na hora de ninar seu bebê, esqueça o “Nana, neném, que a Cuca vai pegar”! Vá de Beatles, Aerosmith, Oasis etc. Seu pequeno Elvis agradece!

Beijos da Phoebe


Oscar 2009 - Melhor Canção Original


Autor: Eubalena ~ 3 de março de 2009. Categorias: Mona POP.

Muito já se falou (negativamente) sobre as indicações nesta categoria. Pra começar aconteceu de terem sido indicadas apenas três canções, mas acho que todos já passaram da fase de indignação por isso.

Depois, tivemos o choque das próprias indicações. Várias canções lindas foram deixadas de fora, como The Wrestler, de “O Lutador” (escrita e interpretada por Bruce Springsteen e vencedora do Globo de Ouro) e I Thought I Lost You, de “Bolt - Supercão” (escrita por Miley Cyrus e interpretada por ela, juntamente com John Travolta, que também foi indicada ao Globo de Ouro). Mas acho que todos também já passaram dessa fase de indignação.

Falo das três indicações:

Primeiro, “Down to Earth, do filme “Wall-E”. A música composta por Peter Gabriel e Thomas Newman, com letra de Peter Gabriel, é a melhor maneira de encerrar o filme, que é encantador. Foi indicada ao Broadcast, a Globo de Ouro e ao Satellite, ganhou o Grammy e o World Soundtrack Awards. Peter Gabriel tornou-se famoso por ser o vocalista, flautista e líder da banda de rock progressivo Genesis, e suas canções constam em trilhas sonoras de filmes como “Filadélfia” e “Cidade dos Anjos”. Mesmo assim, esta é sua primeira indicação ao Oscar. Por outro lado, é a décima de Thomas Newman, lembrado por filmes como “Procurando Nemo” e “Beleza Americana”. O que falar da canção? Que é uma das mais lindas que já ouvi. Ela é leve, delicada, e nos faz terminar o filme com aquela sensação de ter visto uma verdadeira obra de arte. Por que não ganhou? Não sei. Alguém me explique, por favor.

Em seguida, temos O Saya, do filme “Quem Quer Ser Um Milionário?”, música de A. R. Rahman (que venceu também a categoria Melhor Trilha Sonora Original), com letra de A. R. Rahman e Maya Arulpragasam. Como não foi indicada a nenhum outro prêmio, a inclusão desta canção entre as indicações a esta categoria gerou muita estranheza. Com uma batida bastante eletrônica, cheia de efeitos que ouvimos nas músicas dance, a canção dos créditos iniciais do filme não impressiona. É daquelas que realmente pensamos “o que está fazendo aqui?”. Por que ela foi indicada? Não sei. E acho que ninguém sabe explicar.

Por fim, temos a canção vencedora. Jai Ho“, também do   filme “Quem Quer Ser Um Milionário?”. A música dos créditos do filme, composta por A. R. Rahman, com letra de Gulzar, concorreu ao Broadcast e ao Satellite. “Jai Ho” começou fazendo sucesso por estar no trailer do filme. É uma canção diferente do que estamos acostumados, sim. Não sou extrema conhecedora de música indiana, mas posso dizer que a sonoridade diferente é resultado do sistema indiano de afinação, que usa até quartos de tom na sua música (na música comum aos nossos ouvidos, o menor intervalo usado entre duas alturas é de meio tom). Claro que ela é difícil de ser executada e tem uma sonoridade diferente. Para nós, meros ocidentais. Não para os indianos. A melodia da canção é bastante tradicional, por assim dizer, e sua inovação está na batida dançante que passa pelo sabor latino e traz até uma pequena estrofe em espanhol. Ouvi a música. Não vi o filme. Talvez por isso não tenha entendido o prêmio.

Eu passei das duas fases de indignação que falei antes. Mas ainda não passei da fase “porque foi essa a canção vencedora?”. Talvez depois de assistir o filme eu entenda. Aceito explicações!

Luana Lied Zapata


Volta às Aulas


Autor: Eubalena ~ 18 de fevereiro de 2009. Categorias: Mona POP.

Já que estamos em época de férias/volta às aulas, porque não falar das crianças? Ei, você que tem filhos, a primeira parte do texto é pra você. Ei, você que não tem filhos, continue lendo, a segunda parte do texto diz respeito a todos os adultos.

Então, eu comecei a estudar flauta-doce com 4 anos de idade. Aprendi a ler música antes de ser alfabetizada. Com 9 anos fui aprender piano e comecei a cantar em coro. Durante a faculdade, me voltei totalmente pro estudo da voz e um dos meus trabalhos é regendo um coro infantil.

Eu não pedi pra estudar música. Mas eu tinha 4 anos. Certamente se passasse mais tempo, teria pedido. Afinal, na minha casa sempre tivemos violões e rolava música ao invés de TV. Meu irmão não foi incentivado para a música como eu fui. Ele nunca estudou música.

Qual a diferença entre nós? Temos coisas de família, dificuldades que, mesmo também sendo obstáculos pra mim, eu venci mais facilmente. Ele não tinha coordenação motora fina (acabou indo fazer origami como terapia). Eu tenho dificuldade de coordenação até hoje, mas é só concentrar e “baixar o santo” que consigo fazer algo que a princípio parecia difícil. A única coisa que ainda não tentei por medo de ser muito, muito descoordenada é tocar bateria, hehe.

Outro ponto: nós dois somos muito, muito tímidos e com uma forte tendência anti-social. Sabe a criança que não era escolhida pra jogar vôlei/futebol/basquete? Éramos nós. Mas eu tinha algumas amigas, colegas de coral, alunas de piano. Eu cantava na frente de todo mundo nas apresentações do coral e isso me fez não ter problema com apresentações de trabalhos em sala de aula. Até hoje eu digo que palco não é problema pra mim. E, quando vou conversar com alguém que não conheço, invoco a artista pra que minha timidez não venha à tona e acabe me fazendo parecer arrogante. Já meu irmão só foi fazer amizade, meeesmo, no segundo grau. E olha lá.

Legal, ajuda na coordenação, ajuda no convívio social, mas só isso? Não. Todos sabem, é óbvio, que ajuda na criatividade, no gosto pessoal, na visão de mundo. Uma criança que aprendeu música não precisa virar um profissional disso, mas será aquele adulto de bom humor, simpático, com boas soluções para o seu dia-a-dia, com gostos variados, e que consegue não passar vergonha quando alguém insiste que ele venha jogar pingue-pongue, pelo menos uma partida.

Logo, se o filho pedir, coloque-o sem dúvida numa aula de música. Mas e se ele não pedir? Pergunte. Tente perceber se seu filho gosta e pergunte de novo. Porque todos nós sabemos que às vezes crianças não dizem o que gostariam. Por vergonha, ou qualquer outro fator.

Minha amiga Priscilla passou por isso. Ela diz: “quando eu era criança, eu amava dançar e cantar. então eu colocava minhas músicas favoritas no rádio e ficava dançando e cantando pelo quarto e inventando palco e público. Quando alguém abria a porta eu paralisava instantaneamente ou sentava aonde eu tava e fingia que eu estava apenas escutando a música como se nada tivesse acontecido. Eu morria de vergonha. E era uma vergonha estranha porque, da mesma maneira que eu inventava público pra poder cantar pra ele, eu não conseguia fazer isso na frente de um público de verdade. Eu era super tímida pra pedir coisas pra minha mãe. Eu chegava na barra da saia dela e ficava ‘mããããe….’ na esperança que ela adivinhasse o que eu tava pensando. Minha mãe já sabia que, quando eu fazia isso, eu queria alguma coisa. Aí começava a me perguntar se eu queria comer/beber/fazer/perguntar alguma coisa. Mas ela nunca me perguntou se eu queria fazer aula de música. Ela até perguntava ‘você quer fazer alguma coisa?’ eu mexia a cabeça dizendo que sim. Ela perguntava o quê e eu ficava sorrindo porque eu tinha vergonha de dizer que eu queria aula de música. Hoje penso que a vergonha deveria ser sobre ter de apresentar pra família o que eu viria a aprender na aula de música já que eu tinha vergonha do público de verdade.” Mas não, ela não fica apenas se lamentando sem tomar nenhuma atitude. Ela está correndo atrás do sonho dela.

Recentemente no MonaCast surgiu a dúvida: para aprender música, é necessário começar desde cedo? A resposta óbvia veio rapidamente: sim! Mas não se desespere. Ela é óbvia, mas eu discordo. E digo a razão.

Bom, então primeiro preciso falar que meu outro trabalho tem a ver com formação de professores de música. Depois de adultos, sim. Pra isso, muita pesquisa musicopedagógica, claro. E criação de um método para musicalização de adultos, que está funcionando muito bem, obrigada.

A questão é a seguinte: por que um adulto que tenta aprender música normalmente se frustra? Ora, qualquer um se frustraria se fosse ser alfabetizado depois de adulto e fosse tratado como criança. O método é outro. Crianças e adultos são diferentes, logo devem receber as novas informações de maneiras diferentes também. Crianças aceitam o novo mais facilmente, mas precisam que tudo seja conduzido mais ludicamente. Vou contar dois casos:

1. Quando eu era pequeninha, meu pai começou a fazer aula de violão e minha mãe, pra fazer companhia, começou a fazer aula de flauta-doce. Minha mãe chegava em casa e me ensinava tudo que tinha aprendido na aula daquele dia. Foi assim que tudo começou. Se eles não tivessem ido aprender música depois de adultos, eu não teria essa profissão hoje (e não consigo pensar em outra). Meu pai estuda violão até hoje. Não com o intuito de virar profissional, senão já o teria feito, mas sim como hobby. É o momento anti-stress dos dias dele, quando ele senta e pega o violão pra estudar. Ele vai pra cidade vizinha estudar, porque aqui não temos professores de violão, mas o faz com muito gosto. Uma vez por semana, ele pára de pensar em trabalho e se diverte com sua música.

2. Quando entrei na faculdade, entrou também uma senhora, que ao longo do tempo descobri ser uma bancária aposentada. Depois de se aposentar pelo banco, ela começou (sim, começou) a estudar piano. Ela nunca tinha tido uma aula antes disso. Quando ela se sentiu segura no piano, ela foi e fez a prova específica e o vestibular pra entrar no curso de música. E entrou, comigo. Ela está formada agora, em Licenciatura - Piano, e trabalha dando aula na sua casa. O modo como ela encarava as aulas, querendo aprender, mas sem aquela pressão de precisar aprender, era fantástico. Passava uma leveza pra toda a turma.

Conclusões?

1. Aproveite a volta às aulas. Leve seu filho a uma escola de música. Qual instrumento é melhor para começar? O que ele sentir vontade. Não o obrigue a estudar violino se ele quer estudar bateria.

2. Aproveite a volta às aulas. Vá a uma escola de música. Qual instrumento é melhor para começar? Aquele que você sempre quis aprender, mas se achava incapaz (por idade, coordenação ou falta de alguma coisa). Mas não queira aprender tudo num dia só. Uma coisa que as crianças entendem é que nada se aprende num dia só. Não sinta agonia por aprender um pouquinho por vez.

Luana


Ponto Gê: A Nossa Música


Autor: Mafalda ~ 31 de julho de 2008. Categorias: Ponto Gê.

O Ponto Gê é o mais novo espaço de discussão do Monalisa de Pijamas. Mais fácil de encontrar, entretanto, muito mais difícil de entender. A partir deste momento, você terá a oportunidade de tocar, com todo respeito, em assuntos sérios, polêmicos e únicos do cotidiano de homens e mulheres. O que para muitos sempre passa despercebido, aqui, irá se tornar caso de estudo, onde serão levantadas teorias, discutidas fórmulas e ensinadas receitas. O Ponto Gê, terá o maior prazer em receber a sua opinião e sugestão, participe.

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A Nossa Música

Como primeiro tema, vamos acompanhar os embalos do último podcast e falar de música. Ouvindo as monas selecionando suas cinco canções preferidas e destacando suas lindas letras, o Ponto Gê resolveu fazer algumas perguntas por aí, sobre o tema. Será que homens e mulheres analisam as músicas da mesma forma? São tocados por elas, no bom sentido, da mesma maneira?

Imaginem a cena:

O casal está jantando, começa a tocar uma música familiar aos dois. A mulher então diz:

- Amor, lembra dessa música?

- É, sim.

Pigarreia ele.

- Lembra mesmo?

Ela incentiva desconfiada.

Ele pensa: “Seria muito mais fácil se ela dissesse: Lembra dessa música, quando foi nosso primeiro beijo ou então, lembra dessa música quando nos conhecemos a primeira vez. Mas não, ela só disse, lembra dessa música? Mas que diabo de música é essa”.

Ela pensa: “Eu sabia que ele não lembraria. Mas porque disse que sim?”. Ele continua:

- É realmente uma música muito bonita.

Tentando desesperadamente consertar.

- Nosso primeiro beijo ficou ainda mais inesquecível com essa música.

Ela dá uma chance ao pobre coitado desesperado.

- Ah, sim, é verdade.

Completa ele enigmático, tomando um gole de vinho e arrumando a gravata.

Só depois de toda tensão no ar ter se dissipado, ele percebe a letra da música que tocava: “… Só penso em você, em querer te encontrar. Lembro daquele beijo que você me deu e que até hoje está gravado em mim…”. Porque não tinha percebido antes? Talvez pelo simples fato de que ele não lembrava nem estar tocando uma música naquele dia.

Pesquisando, constatamos que essa cena é muito mais comum do que parece. Todas, absolutamente todas as mulheres entrevistadas, como banco de dados, marcaram muitos momentos de suas vidas com músicas. Pessoas e situações, felizes ou tristes que já viveram. Os homens questionados também afirmaram, com segurança, que as letras de certas músicas são marcantes. No entanto, nenhum deles soube citar uma dessas canções, muito menos os fatos inesquecíveis (por mais que tenha sido insistido).

É biologicamente comprovado, que as mulheres têm um cérebro mais preparado para captar o maior número de detalhes de um ambiente. Essa capacidade, faz com que uma música não passe despercebida aos seus ouvidos, muito menos a sua memória. Quanta sensibilidade. O que soa meio irônico, visto que, a maioria dos compositores são homens.

Uma coisa é fato: não se faz mais mulheres e homens como antigamente. Será que a troca do “Eu sei que vou te amar…”, por “beija, beija, ta calor, ta calor…” tem afetado a sensibilidade dos sexos. Na verdade hoje, só se vê homem fazendo serenata e mulher sofrendo por amor, nas novelas de época da Globo.

Convoco vocês a buscar no fundo da memória um momento inesquecível, com uma trilha sonora perfeita. Sei que no fundo, todos têm uma lembrança única. Se nenhum pensamento a respeito foi formulado, selecione uma coletânea de músicas boas, entenda isso como de qualidade, e as reserve para um momento especial. Não importa o quanto demorar a realizá-lo, pelo menos, as músicas você já escolheu.

Parafraseando o poeta, que me perdoe a banda Calypso, mas música boa é fundamental.





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