Porque fazer humor e podcast é uma arte
































e-DR [da seção: Relacionamentos na era da informática]



Por Eubalena - 8 de junho de 2011. Categorias: Cantinho das Monas, Ponto Gê.

Nada mais chato e cansativo que DR. Discutir o relacionamento é algo que exige tempo e paciência. Analisar os pontos negativos e positivos de um relacionamento, tentar encontrar o equilíbrio do casal juntos, em comum acordo, é lindo, mas não é aquela delicia!

Cada pessoa tem seu modo de interagir numa DR. Alguns gritam, outros choram, outros conversam de mãos dadas e outros simplesmente ficam mudos.

Ter uma DR com alguém que não interage é algo que requer calma e paciência somente vistas em monges budistas, e aqueles mais calmos e pacientes.

Não sou calma, não sou paciente e tenho um marido que não fala durante uma DR. Como resolver isso?

Primeiro eu tentei um monólogo no qual eu, inclusive, respondia algumas perguntas minhas como se fosse o cônjuge em questão. Não vou dizer que era a coisa mais normal do mundo ver aquela mulher conversando sozinha ao lado do marido que olhava, meio que desconfiado, para ela. Resultado até dá, mas tem toda aquela aflição para saber se a pessoa entendeu seu ponto de vista ou não.

Mas um dia todos os meus problemas foram solucionados com uma simples folha de papel e uma caneta. Sim, eu não fiquei estressada tentando desvendar na cara do ser que respirava a minha frente se eu era compreendida ou não. Escrevi tudo o que eu queria, coloquei num envelope e entreguei para o moço quando eu saía para trabalhar. Foi uma maravilha. Cheguei em casa com tudo resolvido e sem precisar fazer força.

Depois disso passei a usar na minha vida a modalidade mais produtiva e menos irritante de DR, a DR escrita. Hoje troquei as cartas por e-mails, criando assim a e-dr.

Para se fazer uma e-dr não é só escrever e pronto. Não, o texto deve ser claro e direto, mas com alguns detalhes importantes a serem seguidos.

Uma e-dr deve ter quatro parágrafos, cinco no máximo. No primeiro, aproveite para colocar alguns pontos positivos do seu parceiro. Cite suas qualidades e seus atos heróicos. No segundo, caso sejas o culpado da situação, coloque alguns de seus defeitos (mas não muitos, para o outro não ficar se achando o bom e concordar que tá na hora mesmo é de partir para outra) e introduza o problema.

Desenvolva-o nos próximos um ou dois parágrafos, lembrando de sempre manter o texto claro, coeso e coerente e arremate usando mais algumas qualidades da outra parte, para amolecer o coração, no último parágrafo.

Termine com Beijos, nada de Eu te amo. Isso é uma DR e DR tem de ter uma certa formalidade. (quer dizer, se a merda for muito grande – porque DR também pode ser desculpa para pedir perdão – um Eu te amo pode ser útil.)

Só não vale mandar cópia para as amigas palpitarem também.

Euba

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15 Comentários to e-DR [da seção: Relacionamentos na era da informática]

  1. Mi

    Isso é ótimo, já usei também!
    Mas, de vez em quando, um simples ataque psicótico tbm ajuda, kkk!

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  2. Tinho Costa

    Este texto é uma constatação triste e melancólica de que as pessoas não querem mais “discutir” e resolver seus problemas (todos temos) e sim simplesmente VENCER a discussão. Impondo seus pontos de vista, fica “claro” que estava “certo” e assunto encerrado. Lamentável!

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  3. DJ Clayton

    Eu já tive algumas e-dr’s eu confesso, mas elas sempre foram produtivas mesmo estando solteiro hoje em dia, ou talvez elas não tenham sido e eu estou me iludindo, enfim como sempre ótimo texto Euba até mais.

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  4. Lan

    Desculpe, você escreve muito bem e eu adoro, mas por isso mesmo tenho que te corrigir: monge é com g.

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    Eubalena Resposta:

    @Lan, corrigido, obrigada! Tenho sérios problemas com monje, monge, lage e laje e o corretor ortográfico tbm, pelo visto.

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  5. LuizC

    Minha esposa nem lembra como é meu e-mail. Aqui tem que se no modo antigo. :)

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    Eubalena Resposta:

    @LuizC, pior é que eu mando pro da empresa!

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  6. Ruz

    Comigo já funcionou algo parecido. Raramente a minha namorada fala qual é o problema, mesmo estando amargurada por dentro e visivelmente chateada (problema que já estou resolvendo graças às Monalisas e à Dra. Frau Gertrudes)

    Mas toda vez que pergunto qual o problema via msn, ela fala! é uma boa, acho q tem gente que fica intimidada ou com medo de falar na cara..

    Abraços, e ótimo texto!

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  7. Phoebe

    Hmmm… minhas e-Dr´s não são tão simpáticas como as suas! Até porque acontecem em momentos excepcionais em que estou com tanta raiva de algo específico que prefiro escrever do que falar, porque escrevendo a gente pode voltar depois e apagar as partes, digamos, mais “incisivas”, o que não é possível fazer numa conversa – não dá pra voltar atrás e dizer “ops, passa um liquid paper aí no que eu disse, eu não queria de verdade xingar a sua mãe e nem te mandar para aquele lugar que eu disse que vc deveria ir…”!

    Mas sou direta, básica e sintética: digo não gostei disso aqui, isso não é certo, por esse e esse motivo, e espero que não aconteça mais. Fim. Sem “beijos” nem “te amo”, por enquanto! :)

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  8. gabi

    e-DR!

    Essa é nova!

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  9. Sooraya

    “eu não fiquei estressada tentando desvendar na cara do ser que respirava a minha frente se eu era compreendida ou não”

    Foi exatamente isso o que me levou a uma DR escrita mais de uma vez. E não é que deu certo?!

    Uma DR escrita não significa necessariamente o afastamento das pessoas envolvidas, apenas o distanciamento temporário do problema e por vezes essa distância é fundamental para analisar criticamente não só a relação como nossos próprios desejos. O que falamos num momento de raiva é bem diferente daquilo que escrevemos pq a escrita é mais lenta e pede reflexão.

    Além disso, nada impede que depois de uma DR escrita aconteça uma DR tradicional que pode até mesmo ser favorecida pela primeira.

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  10. Carolina

    ato heróico do meu cônjuge??…. como assim????
    meus defeitos???…. como assim???

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  11. Aline

    hahahaha… ainda não usei a e-DR, faço o velho monólogo. Tem dado resultado por enquanto.. hahahahaha

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  12. ju teofilo

    Euba, corra agora: patenteie ou registre esse termo. Essa moda vai pegar (ja pegou) e vc deve ser a dona desse dominio!
    Amei o texto. Eu me consigo ser mais clara escrevendo do que falando. Uso muito a escrita para dizer coisas que a timidez ou a raiva podem contaminar e nao sair.
    Quero apenas acrescentar algo que faz parte de minha cricrizisse habitual: se o interessado em aderir a e-DR não souber escrever bem ou cometer erros de concordância ou de ortografia daqueles que fazem arrepiar os cabelos, melhor tentar no mano a mano mesmo. Se eu pego uma e-DR mal escrita, juro, nem consigo levar a sério e ainda repenso se devo estar com aquela pessoa. Sério, tenho algum problema com isso. Nao consigo achar fofo se um cara escrever “poblema”, “célebro”, “seje” , “pra mim fazer…” ou cometer o crime de ainda escrever “Ti amu” no final. Só se for uma piada interna e olhe lá. Ou seja, a DR mal escrita pode ser um tiro no pé srsrsrsrsrs.
    Outra consideração muito importante em uma DR escrita é que pe um documento que poderá ser usado contra você. É sempre uma possibilidade. Então, a DR escrita deve ser muito bem planejada, como vc mesma colocou em mais um de seus criativos, engraçados e brilhantes posts. Amei.
    beijo (devemos inventar o e-kiss tb? rsrsrsr)

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  13. guilherme raposo

    formalidade: BEIJOS

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