Porque fazer humor e podcast é uma arte

































Cinema em casa: Os garotos estão de volta (no Telecine)


Autor: Mafalda ~ 11 de julho de 2012. Categorias: MonaCine, Sofá da Mona.

Produção britânica e australiana, The boys are back in town (título original do filme de 2009) é um grande injustiçado do “sistema de estrelinhas” que avalia os filmes da operadora de TV a cabo de que sou cliente. Não sei se a empresa baixou essas avaliações de algum lugar ou se há um crítico contratado para isso, enfim, não me importo realmente (mas em breve postarei sobre isso rsrs). O filme recebeu 3 michas estrelinhas! Como assim?! Eu daria 4 com louvor! Eu, a Ju, a platéia mediana digamos assim. Não julgo categorias técnicas exceto se forem muito toscas a ponto de eu perceber (eu, leiga) ou muito boas (a trilha do filme é linda!).

O filme em questão trata de um tema que vem sendo trazido mais recentemente no cinema: os rumos das atuais relações pais-filhos. Os novos arranjos familiares, a ressignificação do conceito “família”. Como o título denuncia, o foco é nas figuras masculinas: o pai (divorciado e viúvo com um filho de cada relação), o filho mais velho (o “abandonado” com a mãe de quem o pai se divorciou para ficar com a mãe do pequeno) e o caçula (o “açúcar” de todas imagens positivas em relação a nação de caçulas está brilhantemente representado. Impossível não se apaixonar e rir da espontaneidade e senso de humor de Artie).

Cliven Owen no papel do imaturo e atribulado pai solteiro, consegue revelar o nascimento do “pai” no famoso jornalista esportivo Joe. Sem spoiler: na cena em que cruza com seu editor chefe na recepção de um hotel e sua atitude a seguir, para mim representa sua decisão de se comprometer em ser um pai. Em selecionar prioridades como um pai… Adoro a interpretação do ator nesse filme em particular.

Resumão: Joe é um jornalista esportivo famosão, que tem que viajar para cobrir torneios etc. Uma esposa campeã de hipismo, linda chique, australiana. Joe tem uma ex-esposa em Londres (com quem ficou seu filho mais velho). Joe tem um filho pequeno com a australiana e mora na Austrália, perto dos avós maternos do pequeno Artie. De repente, câncer, morte da esposa, sofrimento level advanced (eu, que nunca choro, até solucei).

O pai lidando com a viuvez e o filhinho, em meio a tudo isso, ligação da Inglaterra. O mais velho que ir visitá-lo. Está acompanhando? Joe, que nunca cuidou de ninguém – nem de si mesmo – está com uma casa, com um adolescente e um caçula com toda sua energia e demandas de uma criança pequena ainda. Ah, tem o trabalho querendo que ele esteja pessoalmente nos torneios de sempre… E tudo sob o sol australiano.

Filme delicioso, que realmente trata do essencial em nossas vidas. Lindo ver estes homens em várias idades se relacionando, crescendo juntos, notando a falta do feminino em suas vidas, desmoronando e se reconstruindo. Sensível, honesto, humano.
Então, vale ou não vale mais uma estrelinha? Assistam e depois mandem as suas estrelas.


Chá de X


Autor: Mafalda ~ 8 de maio de 2012. Categorias: Sofá da Mona.

Este último final de semana foi possível acessar doses generosas da saga dos mutantes e seus conflitos. A rede Telecine lançou o interessante “X-Men- Primeira Classe” e, de quebra, está reprisando outros filmes da série. Fã infantil e pré-adolescente das antigas HQs, vendidas baratinhas na velha banca de revista (essa coisa em extinção ou em atual forma híbrida junto com livrarias e cibercafes), fiquei feliz por terem tido o
cuidado de filmarem uma versão do início da série ou pelo menos da rivalidade entre Magneto e Professor Xavier. Indiretamente, o didatismo do roteiro revela as várias tonalidades de cinza que constroem as escolhas e os rumos de cada ser vivo. Embora os filmes com suas incríveis figuras mutantes ganhem plateia e lucro com a audiência teen, acho impossível um adulto (especialmente o atual, da chamada geração X) não apreciar os filmes. Foi delicioso passear no enredo do povo mutante, conhecer a origem de duas figuras poderosas em sua mitologia particular.

Os que conhecem X-Men apenas dos cinemas poderão compreender porque os fãs mais antigos eram capazes de ficar horas debatendo sobre os motivos e não-motivos de Xavier e Magneto. É bom para a plateia adulta e jovem, identificar no filme personagens que precisaram fazer escolhas boas, más, dolorosas, possíveis etc de modo coerente com a pessoa que se tornou ou com a que gostaria de ser. As escolhas nem sempre são fáceis, quando se percebe que o que as move é a paixão. Magneto pode ser visto como a paixão desenfreada, o impulso vingativo, o ódio ruminado por uma mágoa imensa (compreensível ao vermos o que ocorreu com sua mãe).

Xavier conseguiu crescer de modo mais “adaptado”, também auxiliado por uma imensa herança. A escolha de Xavier é a da ponderação. Xavier pode ensinar uma mutante a plasmar uma forma física dentro do padrão de beleza estabelecido pela sociedade (humana) atual. Certo, isso facilita de um lado a entrada dessa mutante em um mundo com crescente perseguição contra seus semelhantes. Mas a lição de auto-estima dada por Magneto (em “grande estilo”, aliás!) foi uma atitude mais honesta com a saúde mental da mutante. Xavier busca entendimento e diálogo em um mundo com várias bocas, porém com raros ouvidos dispostos à sua nobre causa. Magneto é descrente de qualquer boa vontade vinda de seres humanos… Já Xavier. Vejo analogias com o mundo atual, tão plural e que não tem apenas um lado, mas muitos, alguns inclusive divulgados pelo youtube e redes sociais, onde os vilões são apenas pessoas que fizeram escolhas diferentes, porém igualmente motivados por sua própria história (e não necessariamente a encarnação do mal).

Sou suspeita para falar. Suspiro toda vez que vejo o Wolverine de Hollywood (partindo das HQs, que upgrade generoso!) e me divirto sim vendo o filme, desencanada. Nem tudo é reflexão e densidade… Boa diversão e bom gancho para pensar um pouco além. Bom programa para criar horas de assunto entre adultos e jovens.


Atividade Paranormal 2


Autor: Mafalda ~ 27 de outubro de 2011. Categorias: Sofá da Mona.

Como o clima no Monalisa de Pijamas é de Halloween com as “Coisas que dão Medo”, escolhi a “dedo” a dica. Primeiro: se você não assistiu Atividade Paranormal 1, não vai chegar ao clímax com o título 2 da série. Atividade Paranormal 2 explica um pouco do que ocorreu no primeiro filme e, se você não assistiu, não vai passar metade da aflição e susto no segundo. Afinal, esta é a razão de ficarmos horas em frente à TV vendo esse tipo de filme: passar medo à toa (sem contar o fato de ter uma desculpa decente para agarrar algum(a) pretendente.

Na rede Telecine (cabo) está rolando dobradinha dos filmes, uma espécie de aquecimento para o número 3 em lançamento nos cinemas. Para quem curte o estilo mockumentário (que simula uma filmagem amadora ou na forma de documentário, no estilo do seriado The Office e do filme A Bruxa de Blair; (mock: falso + documentário) é um prato cheio.

Na trama, tudo que nos faz pregar no teto de medo: um bebê, um pai cético, duas mulheres com um “passado”, um noivo mané, uma adolescente empolgada (que funciona como cúmplice do espectador, explicando parte da trama em suas fuçadas na internet – fonte de todo o saber, inclusive sobre paranormalidade…) e, obviamente, uma babá versada no misticismo/coisas do Além e uma cadela sensitiva (sim, cadela, o animal, lógico). Pronto. Todos numa casa imensa e lotada de câmeras de vigilância, após uma suposta invasão por delinqüentes. Quando as filmagens são assistidas, fatos estranhos começam a surgir em intensidade crescente.

Parte da graça desse tipo de filme é esperar o momento em que alguma zica vai rolar. Piada dos roteiristas, muitas vezes tentamos estabelecer um padrão para prever as manifestações do Além (por exemplo, toda vez que apagar a piscina ou toda vez que filmar a cozinha…). Não adianta. Não há qualquer padrão e parte da graça reside aí. Um filme sem pretensão exceto distrair e passar um pouco de medo (ou muito, no caso da Euba rsrs). E aí, vocês já encararam esses filmes? Gostaram? Comentem, comentem!


As Melhores Coisas do Mundo


Autor: Eubalena ~ 5 de abril de 2011. Categorias: MonaCine, Sofá da Mona.

Estreia de abril do Telecine, tive a felicidade de assistir “As melhores coisas do mundo” ao lado justamente de uma amiga de longuíssima data, dessas com as quais as histórias se acumulam e que sempre estão com você. Produção nacional de 2010, direção de Laís Bodansky (Bicho de Sete Cabeças).

Certo, vamos logo às críticas negativas. Alguns disseram que o filme era muito “certinho” e, de fato, algumas personagens são muito retilíneas, pouco críveis em certos momentos (como a mãe do protagonista por exemplo). Realmente, reconheci na produção Globo toda uma pasteurização da juventude, do jovem, da família e da escola. Herança da estética de Malhação, ainda vigente. Achei o destino do casal protagonista um pouco óbvio e que merecia um tratamento da descoberta romântica maior. Mas releve, sou muito cri cri.

Se você se permitir e tiver coragem, o filme te transporta para sua adolescência. Acha que está velho? Pois a primeira observação interessante que fará é a assustadora semelhança entre os jovens atuais e aqueles que nós fomos. Tá, eles tem internet, Google, celular, videogames mais baratos, péssima música no geral, mas só. Estão lá as mesmas dores e conflitos da fase mais dura e gostosa da vida. O Google não te responde o que dizer quando as palavras faltam na frente de quem você gosta. O celular pode ajudar na aproximação, mas não garante a proximidade. Tempo passado, tempo futuro, crescer em essência será sempre muito parecido, universal. Conquistar o respeito de seus colegas, ser popular, iniciar-se sexualmente, apaixonar-se perdidamente, morrer de amor e sobreviver. Descobrir que certos amigos nunca foram de fato leais. Na juventude, por pior que sejam nossas dores, sequer sonhamos com a crueza e frieza dos fatos que sucederão em nossas vidas adultas.

Mesmo você sendo uma pessoa legal. Ser bacana não te imuniza da dor, mas pode ter dar ferramentas pra sobreviver a ela.
Tem gente que mostra a juventude como uma fase em que aprendemos coisas, valores etc para nossa caminhada na vida. Uma de rosas. Já eu acho que aprendemos a cair. É uma fase de tomar tombo, quase que um atrás do outro. Tempo de viver roxo. Progressivamente somos expostos a um crescente de dor e ansiedade. Talvez um treino básico para os lutos durante a vida e para que saibamos que sobreviver e seguir adiante é preciso. Mesmo nada sendo perfeito, mesmo que você não saiba direito a canção, é preciso ensaiar todo o dia a capacidade de cantá-la.

Não deixe de conferir “As melhores coisas do mundo”. Ele me fez relembrar que precisamos aceitar as pessoas e a vida e que somos mais fortes do que julgamos. E, sim, eu concordo com a opinião do protagonista sobre ser feliz quando adulto: dá muito mais trabalho!


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