Porque fazer humor e podcast é uma arte

































Presente do dia das mães


Autor: Eubalena ~ 20 de abril de 2009. Categorias: Cantinho das Monas.

Sou casada com o tipo de cara desligado para datas, daqueles que dá flor no Dia das Almas só porque viu muitas  pela rua e achou que poderia ser alguma data imperdível. Então, toda data que possa ser usada para que eu ganhe um regalo, é previamente marcada (por mim) na agenda dele. E é claro que ele dá um jeito de não perceber.

Próximo dia 10 (10/05) é dia das mães. E, como todo ano, minha expectativa aumenta… Não pela  data, mas pelo presente (por favor, não me venha falar que basta amor, felicidade e alegria porque isso é coisa para se sentir no Natal. Dia das Mães é presente e pronto!), ou melhor, o que vai ser o presente.

Sou mãe desde 2005 e lembro-me de 2 presentes que ganhei. Um vestido lindo que ele escolheu sozinho (!) e ano passado, ganhei uma impressora. Sim! Uma impressora.
A criatura estava quase em crise porque não sabia o que dar que eu fui obrigada a falar: então me dá uma impressora que preste.

Claro que ele deixou para começar a procurar no Dia das Mães.

Este ano eu não tenho a mínima idéia do que eu quero (tenho sim! Eu quero aquele Jeep Amarelo. Mas se eu falar ele vai rir da minha cara até as nossas bodas de diamante.). O que me assusta muito, já que as Casas Bahia da vida já entraram em promoção e estão sugerindo presentes maravilhosos para a data: Panelas, faqueiros, centrifugas e afins!

Eu gostaria muito de saber quem inventou que mãe quer ganhar presente para casa. Muitas vezes a gente aproveita uma data para pedir alguma coisa que a gente quer para casa. Mas isso não é regra!

Com tanta coisinha legal para dar, eu não entendo como tem gente que prefere comprar uma panela de pressão e oferecer de presente para aquela que o carregou 9 meses na barriga, que teve todos os seus hormônios modificados, ficou com pés inchados, constipação, dores nas costas, mudou o humor, que ficou horas em trabalho de parto com um  médico “medindo” o tempo todo, ou que passou por uma cirurgia, teve 7 camadas de seu corpo cortadas, foi costurada e, mesmo com todos os pontos, acordava de 3 em 3 horas, durante meses, para dar à pessoa o que comer e que recebeu mordidas no bico do seio enquanto fazia isso.  Uma pessoa que trocou fraldas e ainda se preocupava em analisar o cocô.  E é a pessoa que a gente sempre chama quando acontece alguma coisa. Sim, porque quantos que vocês conhecem, acordam no meio da noite e gritam: PAIIIII!

Mas mãe é bicho sofredor. Já está habituada a viver assim. Durante anos e anos nosso papel na família era criar filhos, limpar casas e  ser a esposa perfeitinha.

Também já fomos delicadamente chamadas de violentas e porcas na singela musiquinha cantada até hoje nas festinhas de escola:
“Mamãe, mamãe, mamãe. Eu me lembro o chinelo na mão (mulher malvada!)
O avental todo sujo de ovo (mãe porca!)…”

E fomos forçadas a serviços pesados com os “apetrechos” domésticos.

Mas, eis que um belo dia, a mulher saiu de casa e foi trabalhar e ganhou dinheiro. E o homem viu que era bom…

E vieram os pais “do lar”, os pais separados e os pais solteiros e o homem viu que descongelar a geladeira não era bom, que passar esfregão com palha de aço no assoalho não fazia muito bem para as costas. Que lavar roupa no tanque não é a melhor coisa do mundo e que, um dia de 24 horas é pouco para fazer todo o serviço doméstico, cuidar dos filhos e ainda ter disposição sexual.

E suas mentes brilhantes com neurônios avançados inventaram a geladeira frost-free, a fralda descartável, aspirador de pó e água, controle remoto, máquina de lavar roupa e louça (essa não me importaria de ganhar no dia das mães) e outros brinquedinhos legais para facilitar o dia-a-dia.
Ajudou muito, mas fez com que os filhos achassem que as mães iriam preferir ganhar um liquidificador de última geração a uma jóia, uma roupa, um sapato…E tudo ficou no mesmo.

Mãe é mulher e mulher gosta de ganhar presente para ELA. Uma televisão 42″ é linda, mas é para uso coletivo. Ela não vai poder levar com ela e aproveitar sozinha. Sim, sozinha, porque mãe raramente tem um tempo para fazer sozinha o que quer. Às vezes, nem ao banheiro se consegue ir sozinha!

Nos Dias das Mães aproveite para paparicar sua mãe. Descubra alguma coisa legal que ela realmente queira.  Dê um presente só para ela e olha que nem precisa ser caro. Aquela camiseta básica da Hering, de vinte reais pode fazer muito mais sucesso que um faqueiro completo de mais de mil. E prepare o almoço do Dia das Mães. Ninguém merece ter de cozinhar pra todo mundo e limpar a cozinha para comemorar seu dia!

E nunca  se esqueça disso: Flores são só complemento!

Beijos maternais,

Euba.

PS: Monalisa recomenda para o dia das mães:

Ou procure um presente no Buscapé:


“SE VOCÊ É DIFERENTE O NOSSO DIFERENTE TEM UM QUÊ DE SEMELHANTE”*


Autor: Mafalda ~ 17 de janeiro de 2008. Categorias: Sem categoria.

Hoje vou falar como filha, afinal na Monalisa sempre falam sobre o que é ser mãe e o que é que nos incomoda em ser mãe, o que nos delicia na maternidade. Mas e o ser filha?

Acho interessante como a forma de interferência das nossas mães (pelo menos com a minha mãe) mudam com o passar do tempo e de acordo com a fase que vivenciamos, mas estão sempre presentes mesmo com muitas de nós adultas, crescidas e mãe como elas.

As mães insistem que não podemos cometer os mesmos erros que elas, e na maioria das vezes querem que sejamos diferentes dela. Mas se somos realmente diferentes dela será que elas aceitam bem a diferença?

Vamos começar do começo, com situações completamente hipotéticas. No entanto, amiga “enpijamada” qualquer semelhança pode não ser mera coincidência.

A maioria das mães não quer que cometamos os mesmos erros que elas. Sem pensar na possibilidade desses erros serem necessários ao nosso amadurecimento. E se cometermos o mesmo erro elas acham que tínhamos a obrigação de não comete-lo. E quando cometemos outro que seja diferente aí então a coisa muda de figura, cada uma de acordo com sua personalidade reage de uma forma – ou será que reagem do mesmo jeito??? Afinal mãe é tudo igual só muda de endereço!

Vamos sair do campo certo/errado onde tudo é muito relativo e o que é certo pra você não é pra mim e vice-versa. Daí elas falam que querem que tenhamos a vida diferente da elas tiveram. E quando temos a vida diferente da delas? Ah! Aí a casa cai, pois a diferença, no geral, é muito difícil de ser aceita. E com as mães a coisa não é diferente e pode, às vezes, ser até pior – tem todo aquele aspecto de posse que algumas mães exercem sobre os filhos e a dificuldade de aceitar que deixaram de ser o bebê que até então embalavam com canções de ninar em seus braços.

Na verdade o que mães precisam entender é que o filho saiu de dentro dela sim, tem muita semelhança, mas é “quase pessoa humana” e sinto comunicar-lhes: É diferente sim, mesmo que tendo um quê de semelhante!

E reage diferente a cada situação seja no papel de mãe, esposa, profissional, mulher. E já diria os filósofos de botequim “cada é cada um”: Em momentos seremos iguais as nossas mães – mesmo que tentando ser diferente ou por convicção mesmo, por considerar a atitude acertada. Em outros faremos diferente por completo pela junção de todos os fatores que formam a nossa personalidade e nossos paradigmas.

A partir de então cada mãe reagirá de uma forma: seja acatando, se surpreendendo, aceitando, respeitando, contrapondo… Assim no gerúndio mesmo, no gerúndio da ação que tem continuidade no tempo. Mesmo porque, apesar das diferenças, das semelhanças elas ainda são nossas mães e mesmo mãe nós ainda seremos filhas.

Madalena

Dona de casa

*O título do texto é o trecho de uma música do Grupo Peixelétrico Semelhantes de Ricardo Trip.





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