Porque fazer humor e podcast é uma arte

































Dica de Filme/DVD: Como treinar seu Dragão


Autor: Mafalda ~ 13 de outubro de 2010. Categorias: MonaCine.

Como Treinar O Seu Dragão começa em plena ação, uma aldeia viking está sendo atacada por dragões e o caos está armado. Neste cenário vamos conhecendo todos os personagens principais e um pouco de suas características: Stoico é o heroico líder da aldeia, Bocão o corajoso ferreiro, Astrid a garota popular, Melequento o moleque valentão e o protagonista, Soluço, é um viking adolescente, que quer provar que pode ser tão valoroso quanto os outros, apesar de ser magricelo e atrapalhado.

Na ânsia de mostrar para seu pai, Stoico, que consegue ser um grande viking, Soluço acaba capturando o dragão mais temido de todos, o Fúria da Noite, com a ajuda de uma máquina que ele mesmo inventou. Mas, no momento de sacrificar o monstro, o garoto acaba descobrindo um belo “bichinho de estimação”.

Começa o grande dilema de Soluço. Ele quer ser considerado um herói na aldeia e aos olhos de seu pai, mas sabe que jamais terá a coragem de matar um dragão. Não por medo, mas sim por vê-los com olhos diferentes dos outros moradores do lugar.

Adoro animações e sempre me irrito com as histórias que tratam as crianças como idiotas, fazendo as coisas de qualquer jeito e apostando na repetição, o que sempre agrada aos menores. Não é o caso de Como Treinar O Seu Dragão. A trama é interessante, com uma mensagem bonita, mas sem fazer concessões. O filme chega a ter seus pinguinhos de tragédia (mas nada piegas).

A escolha de Gerard Butler, na versão em inglês, para fazer a voz de Stoico é perfeita, já que ele é o típico rei guerreiro. No meio da batalha ficamos o tempo todo esperando que ele grite: “THIS IS SPARTA!”.

Como Treinar O Seu Dragão é o tipo de filme que agrada a todo mundo. Na saída do cinema todos estavam com um sorriso no rosto, crianças, adolescentes e adultos. Meu filho adorou e eu também.

O filme acabou de sair em DVD, quem ainda não viu deve correr. É imperdível.

Selo peixe Grande 2010


Modern Family – e você acha sua família louca…


Autor: Mafalda ~ 31 de agosto de 2010. Categorias: Sofá da Mona.

A série cômica Modern Family foi indicada em impressionantes 14 categorias no prêmio Emmy 2010. Levou três: melhor ator coadjuvante em série cômica, melhor roteiro de série cômica e melhor série cômica. Tendo em vista que a grande favorita era Glee (a febre do momento nos EUA), o feito parece ainda maior. E Modern Family ganhou porque mereceu.
A estrutura e as relações familiares sempre renderam assunto para os roteiristas de seriados. A unidade familiar parece funcionar bem para ambientar tramas cômicas e dramáticas. E Modern Family não inova nesse sentido. A fórmula é a mesma, mas o que conquista o espectador é ver como uma família moderna pode ser construída de relações não tradicionais, sem que isso seja fonte de conflitos inesgotáveis. Assim, há a mulher mais jovem (linda e colombiana) casada com o gringo branquelo bem mais velho, que assume o enteado com idade próxima de seus netos (o enteado é uma figura, um garoto gorducho e engraçado que lembra o Russell da animação Up). As crianças e adolescentes recebem um olhar sarcástico (em muitos momentos remetem às tiradas do desenho Family Guy), que motivam muitas gargalhadas. Há o irretocável casal gay, absolutamente aceito e integrado à família, tirando-lhe a aura de vítima. Obviamente que o casal adotou uma menina… chinesa (no melhor estilo Angelina Jolie-Brad Pitt). Os esforços para proporcionar a melhor criação, com preocupação exagerada com as chances e oportunidades de ascensão da criança, são os mesmos que observamos nas desesperadas mães atuais. O interessante da série é descobrir que todos são risíveis. Não há proteção ou politicamente correto. Todos são vistos como seres humanos. Ser velho, imigrante, gordo, gay, homem, mulher, criança, adolescente… O humor é o agente de inclusão e igualdade porque todos provocam risos e identificação. Ninguém é poupado. Digno de nota: o humor e as piadas da série nem sempre são óbvias e é preciso certa bagagem de referências para poder desfrutar de toda sua graça.

Modern Family
Modern Family – e você que pensava que sua família era louca…

A estrutura narrativa da série auxilia no timing do humor. Nessa ótica, a construção da piada é tão importante quanto a piada em si. Entremeando todo o capítulo, observa-se a inserção de pequenas entrevistas, com as personagens se dirigindo à câmera (a exemplo do que se vê em The Office), dando um ar de “documentário” (hoje esse gênero é chamado de mockumentário – mock pode ser entendido como paródia, ou seja, um falso documentário). Outra estratégia é a volta no tempo, com flashbacks que conduzem o espectador ao entendimento da situação presente, aumentando sua comicidade gradativamente até o desfecho. Cada episódio tem duração de 30 minutos e a maioria do elenco é desconhecida para o grande público brasileiro, apesar da presença do eterno “Al Bundy” Ed O’Neill e de Eric Stonestreet, que você talvez reconheça por causa do seriado CSI.

Emmy Moderdn Family
Eric Stonestreet, vencedor do Emmy 2010 de ator coadjuvante pelo impagável Cameron Tucker do casal gay de Modern Family

A série foi criada por Christopher Lloyd e Steven Levitan e nos EUA está na 2ª temporada. Aqui no Brasil, a série é exibida pela FOX que, por motivos que jamais entenderei, passou a dublar tudo o que vê pela frente. Sim, mas não desanime! Modern Family é tão bom que supera até a dublagem (se você não tem TV a cabo, aguarde o lançamento em DVD. Vale a espera!).


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“A Vida Secreta das Abelhas”


Autor: Mafalda ~ 10 de agosto de 2010. Categorias: Sofá da Mona.

Artigo raro nos dias atuais, a generosidade faz imensa falta…

Alguns anos atrás, li um livro que me encantou justamente por transbordar esta preciosidade de suas páginas. Curiosamente, naquela época, imaginava que aquele livro deveria virar um filme devido a sua estrutura narrativa, a riqueza de suas personagens, seu simbolismo e, principalmente, para que tal mensagem de generosidade pudesse chegar a um número maior de pessoas (Sim, sou realista: a maioria tem preguiça de ler).

Pois tive a grata surpresa de assistir “A vida secreta das abelhas” (2008) num canal de filmes da TV a cabo (Se você não tiver TV a cabo, alugue o DVD: vale a locação). Minha alegria começou ao notar que o título original foi preservado. Confesso que detesto certas “versões” que criam para alguns nomes de filme aqui no Brasil, pois nem sempre captam a intenção do original e geralmente subestimam a inteligência dos espectadores. Anyway…

O casting foi primoroso. Todos estão bem em seus papéis, sem excessos, mas com detalhes sutis que marcam a interpretação. Cenas em que não há palavras, mas em que muito é dito pelo olhar, pelo balbuciar, pelo gesto. Porque algumas coisas são, de fato, indizíveis (especialmente as dolorosas). Dakota Fanning, Queen Latifah, Alicia Keys (megatalentosa e linda), Sophie Okonedo (irreconhecível no papel de May) se destacaram sob a sensível direção de Gina Prince-Bythewood. O roteiro foi bastante fiel ao livro de Sue Monk Kidd, o que julgo fundamental.

A vida secreta das abelhas
Montagem do cartaz original com a famosa “casa rosa”

A Carolina do Sul (EUA), interiorana e racista da década de 60, em que negros ainda não podiam entrar em certos estabelecimentos e sequer tinham direito de voto é o cenário da trama. Acompanhamos a saga de uma garotinha branca que chega à “casa rosa” (literalmente), onde vivem as irmãs Boatwright que sobrevivem da apicultura. Desde pequena, ao perder sua mãe de um modo absurdo, esta garota carrega um dos maiores pesos que um ser humano poderia imaginar em uma existência.

Acolhida pelos excluídos, identificada com os marginalizados, ela encontra na casa rosa uma ilha alheia ao mundo injusto e ao passado de violência e abandono. Uma ilha de amor, de aceitação, de generosidade. Penso não ser por acaso, as irmãs Boatwright terem os nomes dos meses de calor nos EUA: May, June, August.
Observando o convívio da garota com as irmãs ao longo do tempo, percebe-se que a generosidade com o outro é tão importante quanto a generosidade consigo mesmo (a mais difícil). Porque é preciso perdoar-se também, aceitar-se humano, falível, porém ainda digno de ser amado (Pensa que isso é fácil? Então, pense melhor…).
E naquela propriedade onde fica a casa rosa, onde há a aceitação de cada um com suas características, virtudes e limites, onde a generosidade das irmãs de fato aquece e aninha a garotinha e os necessitados, só se poderia esperar a produção de algo tão doce e, ao mesmo tempo, fortalecedor como o mel.

colhendo mel
As personagens Lilly e August coletando favo de mel: doçura que fortalece

Outro ponto bastante tocante na história é o papel de uma via de expressão, de vazão de sentimento, para tornar a sanidade algo tangível. Quer seja colocando bilhetes num muro de pedras (veja o filme e entenderá), quer seja escrevendo suas histórias, expressar-se de algum modo é vital e talvez o único caminho possível a partir de uma dor tão imensa.

Num mundo em que olhar para si e para os outros, com olhos sempre críticos e severos demais parece ter se tornado uma tendência, acho que a Vida Secreta das Abelhas nos oferece muito para reflexão.





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