Há alguns meses, durante uma singela tertúlia, fui acusada de abusar do meu sagrado direito de achar gente chata.
Eu concordo. Acho muita gente chata. Mas não tiro o direito de ninguém me achar também. Segundo meu pai, eu sou chata e ninguém gosta de mim.
Pensando bem, acho que depois dessa, eu deveria procurar tratamento.
No começo, minha mãe dizia que eu não gostava de ninguém porque eu era gorda. Sei lá o que se passava pela cabeça de mamãe. Será que ela acha que gordo é mal-amado?
Primeiro que o povo é maluco com esse negócio de gordo. Todo gordo tem de ser palhaço. Se o gordo não é palhaço é porque é mal-amado por ser gordo. Falos alados, é muita aporrinhação.
Mas, voltemos ao meu sagrado direito. Nunca fui sociável. Alias, sou completamente anti-social. Mas tão anti-social que até consegui arrumar um marido igual.
Daí, só porque eu primeiro acho a criatura chata para, só depois, ver se ela é legal ou não, o povo me chama de ranzinza!
Minha mãe, pai, irmão e cunhada gostam de tudo mundo. Todo mundo é legal. Todo mundo é gente boa. Falemos sério: gente boa de cu é rola!
Sair com eles parece que a gente sai com um candidato a vereador no meio de campanha. Num percurso de 500 metros entre a casa e o supermercado, meu pai leva uns 15 minutos. Fala com todo mundo. Uma beleza.
Já levei bronca porque não falei com uma menina da minha cidade natal que encontrei na cidade que eu morava. Puta merda. Todo final de semana eu voltava para a minha cidade natal, encontrava a menina e ela nunca disse oi pra mim. Só porque somos da mesma cidade e nos encontramos numa cidade diferente, eu sou obrigada a falar com ela?
Quer ver como todo mundo também acha gente chata? Li em algumas comunidades do orkut o povo sentando a ripa numa tal de Giseli que participava do BBB. A pobre da pessoa tava trancada numa casa, com um bando de gente chata que nunca viu na vida, participando de um programa chato pra cacete. Daí, como ela não podia se defender, ficava todo mundo a chamar a moça de chata.
Todos têm o sagrado direito de serem chatos também. Deixa a guria ser chata, poxa!
Achar alguém chato não é só um direito sagrado, é uma homenagem que se faz a categoria. Os chatos unem as pessoas.
As noras se reúnem para falar de quem? Da sogra chata. Num almoço de domingo a família se reúne para falar de quem? Da tia chata. Todo mundo tem um chato preferido e até um chato de estimação – aquela amiga chata pra cacete, mas que a gente não tem coragem de mandar pastar.
Enfim, longa vida aos chatos e que tenhamos muito tempo para falar mal deles!
PS: não posso deixar de dedicar esse post ao menino que estudou comigo. Ele sim, sabe o que é ser chato!
Eubalena
eubalena@monalisadepijamas.com.br


