Há um tempo, revirando os álbuns de fotografia da minha mãe, descobri umas fotos tiradas em 95, logo que viemos morar em Natal/RN. Compramos uma casa situada em uma rua onde basicamente só residiam velhinhos e velhinhas. Monotonia e solidão? Que nada! Os velhinhos davam de 10 a 0 na gente no quesito animação e, sempre que podiam, davam um jeito de fazer alguma festa bem agitada.

Essas fotos que pararam nas minhas mãos há um tempo foram tiradas em meio a uma animadíssima festa junina, em que todas as velhinhas da rua e suas filhas se vestiram de “matutas” (caipiras). As fotos remetiam à idéia de ingenuidade: aquelas senhoras tão distintas trajando vestidos de chita, com seus cabelinhos repartidos em “pitós” (maria-chiquinha). Uma delas foi além: seus trajes brancos denunciavam que era ela a noiva daquela festa junina tão singular.

Lembrei que eu tinha registrado aquela festa com a filmadora dos meus pais. Como 80% daquelas senhoras já faleceu ao longo desses 13 anos, achei que seria legal “desenterrar” o vídeo, até para presentear seus filhos e netos. Peguei a fita e levei-a a uma loja do shopping onde fazem conversões de vídeos para o formato de DVD.

Quando o DVD ficou pronto, a surpresa: cadê as velhinhas tão meigas e inocentes??? Logo de cara já começa uma maratona de “dança da garrafa”, com as distintas senhoras rebolando acima de uma enorme garrafa pet de refrigerante! A noiva se empolgou de tal forma que acabou derrubando a garrafa no chão e, por pouco, não se estabacou também! Hilário! Quando fui buscar o DVD, a dona da loja já veio me receber rindo, dizendo que tinha se divertido um monte durante a conversão da fita!

A lição que eu tiro desse fato? Sim, precisamos chegar à terceira idade com muito pique e alegria, dançando as músicas mais esdrúxulas que estiverem na moda! Mas não é essa a lição a que me refiro! A lição que eu tirei disso tudo foi bem simples: fotos são boas, mas mil fotos não valem um vídeo! Na foto somente capturamos a estética do momento, mas o vídeo registra a alma, a essência de nossas vidas.

Devemos filmar muito, tudo, sempre. As câmeras digitais atuais já são capazes de realizar excelentes vídeos, então não há desculpas para deixarmos de fazer isso. E devemos filmar tudo o que nos cerca, porque “nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia”. Momentos da família, viagens com os amigos, detalhes do dia-a-dia, tudo isso é importante e merece ser registrado. Um dia daremos graças aos céus por termos registrado aqueles momentos dos nossos pais, os primeiros anos dos nossos filhos, aquele almoço casual com amigos em que, do nada, resolvemos deixar a câmera ligada.

Portanto, não fique constrangido em bancar “O MALA” e sair filmando a família e os amigos. Eles vão te odiar na hora, mas depois, pode ter certeza, pedirão uma cópia do vídeo. Experiência própria!

Beijos da Phoebe

P.S.: Ainda estou considerando se darei ou não cópias do DVD para os filhos e netos das senhoras! Será que eles gostariam de vê-las dançando na boquinha da garrafa? :)

Artigo publicado quarta-feira, 12 de novembro de 2008 às 14:15 na categoria Divagações, Sem categoria. Você pode ver as respostas pelo RSS 2.0. Você pode responder ou rastrear a partir do seu site.

6 Respostas para “Nada do que foi será…”

Mafalda Says:

Menina, eu já estava aqui rindo e imaginando que tenho que aprender a dança do Créu, pq a vida é curta e os velhinhos é que sabem se divertir, etc… maior elocubração sobre a velhice e tals… tereréu como diz o nosso ET. rsrsrs

Aí vc falou uma coisa que não tinha me ligado. Na verdade, sempre gostei mais de tirar e ver fotos. Porque filmar, é algo que vc filma e depois nunca mais vai ver. Só daqui há muitos anos!!!

Mas você tem razão. Vou tentar filmar mais.
:)

Adorei o texto, Fibinha.
bjs

Eubalena Says:

Bom, eu não sei o que falar sobre a filmagem pq ainda estou traumatizada com a fita do meu baile de debutantes. Mas tenho algumas pérolas filmadas da minha filha e que vou guardar com muito carinho.
Esse é um dos especiais:
http://www.youtube.com/watch?v=zwOMIjCCJrs

sobre a velhice. Tenho a honra de conviver (e ter convivido) com idosos maravilhosos: Vô Arlindo que me ensinou o amor mais puro (porcaria, já comecei a chorar!) que faleceu com 90 anos. Vó Bebeca que virou nosso bebê. Vó Lucy que é uma guerreira. E as emprestadas Vó Jupira (que ja se foi) e Bisa Amélia, que do alto dos seus 97 anos ainda reza todos os pela felicidade da minha filha.

Phoebe, sua fresca, agora eu to aqui me matando de chorar!

Jullyana Rêgo Says:

Ta ai, uma boa, filmar.

ótimo texto, Phoebe ;)

Francisco Says:

Eu concordo com a importância de se registrar momentos, mas algumas pessoas acabam se empolgando e querendo registrar a vida, né?
Beleza tirar fotos ou vídeos de um evento, mas se você também passar o evento fazendo registros, você não aproveita o momento e suas lembranças vão se resumir a uma telinha de LCD de 2.5″… (Não que tenha sido o caso no seu post, Pheebs, só falando do outro lado mesmo :)))

Fabiana Banni Says:

Phoebe!!!
Qdo comecei a ler, já sabia que o texto era seu!!! Kkkkk!!

Sempre LINDA em tudo o que faz, escreve, fotográfa e filma..

Adoro-te!

Beijos 1000,
Fabi

PS: Por falar em filmar, esses dias eu revi um vídeo dos meus filhos, com uns 2 aninhos ainda, no que chamei de “farra da manteiga”.. Queria dividir aqui.. Como faço???

Vanessa Diegues Says:

Adorei o texto!! Eu tb tenho muitos videos que faz tempo que não os vejo.A maioria deles estão na casa de minha avó e tias…o do meu aniversario de 15 anos entre outros,casamentos de primas e primos.Me deu saudades e acho que vou querer reve-los.

BeijOOs da sua amiga Van

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