Porque fazer humor e podcast é uma arte
































O Começo e o Fim



Por Eubalena - 12 de fevereiro de 2009. Categorias: Cantinho das Monas.

Tudo começou um pouco depois que passei a frequentar a casa do meu namorado – agora marido – e sua avó materna mudou-se para lá.

Com esta mudança ganhei uma avó de presente.

Uma senhora tranquila, amorosa, de voz forte e que não gostava muito de falar, mas adorava ficar no meio da bagunça, sempre ouvindo e rindo.

Todas as tardes de sábado essa senhorinha de andar vagaroso era minha companheira. Passamos muitas e muitas tardes chuvosas, dentro do carro parado na praia, esperando os netos saírem do mar. E como eram divertidas essas tardes…Nossas aventuras só terminaram quando nada mais a ajudava a caminhar e ela precisou de uma cadeira de rodas.

Muito religiosa, ela rezava por todos. Sempre rezou muito por minha saúde e felicidade.

Durante minha gravidez as orações redobraram e quando ela viu a bisneta pela primeira vez ficou encantada.

Neneca, como sempre chamou minha filha, era uma de suas alegrias e no seu último mês de vida foi a responsável pelos seus mais espontâneos e sinceros sorrisos .

Mas 97 anos pesam muito e, mesmo não querendo, a bisa partiu, deixando uma saudade imensa para quem ficou.

Eu a agradeço por ela ter vivido tempo suficiente para pegar minha filha no colo e dar todo o carinho de bisa e espero que esses quase 4 anos de convívio tenham ensinado à minha filha o valor de uma avó.

E como estamos aqui para aprender, isso é o que posso falar sobre tudo o que vivi nesses úlitmos 15 anos:

Se tens avô ou avó ainda vivos, cuide bem deles, dê atenção, passe um final de semana com eles, passe rapidamente só para um beijo ou só telefone para perguntar: – Daí, vó! Tudo bem?

Receber uma ligação de um neto pode garantir vários dias felizes.

Mas se tens avô e avó só para datas comemorativas, puro protocolo familiar, nem perca seu tempo indo ao velório deles. Eles não precisam das suas velas, flores e choro. Ninguém se sente amado e acolhido depois de morto.

Alguns idosos, algumas vezes, tornam-se rabugentos, tristonhos, agressivos, sem assunto… mas um dia, nós seremos esses idosos e vamos esperar carinho, atenção e compreensão da nossa família, nem que seja nos últimos anos de nossas vidas.

Beijos

Euba.

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12 Comentários to O Começo e o Fim

  1. Renato de Recife

    Pôxa Euba :(

    Assim não vale, já começo o dia chorando!

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  2. Mafalda

    Meus sentimentos, Euba. Eu lembro do vídeo que você fez do Coró conversando com a Bisa, as duas deitadas na cama, a coisa mais linda do mundo! Com certeza, apesar de pequena, ela vai guardar todos estes momentos felizes que teve ao lado da Neneca.
    Beijos

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  3. Luana Lied Zapata

    “Receber uma ligação de um neto pode garantir vários dias felizes.”

    Meus dois avôs já faleceram. Com um convivi até os sete, o outro conheci com essa idade, e faleceu um ano depois disso. Mas, mesmo não estando longe do primeiro, quando ele faleceu doeu, e lembro até hoje dos momentos que passei com meu avô querido.

    Minhas duas avós estão longe. Uma em Maceió e outra em Lima.
    Sei que, mesmo que não entenda mais o que minha avó paterna fala, por conta de todos os remédios que toma, ela fica muito feliz ao me ouvir. Telefonemas e cartas são sempre bem-vindos.

    Como disse a Mafalda, garanto que sua filha vai sempre lembrar de sua bisa com carinho, assim como lembro do meu avô.

    Meus pêsames.

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  4. Luana Lied Zapata

    [(...)mesmo estando longe do primeiro (...)]

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  5. @RonaldLuis - 24 anos - Fortaleza/CE

    Que homenagem bonita Euba, pra sua ‘vó’…

    Adoro textos que me levam às lágrimas, mas não lágrimas despropositais, e sim lágrimas de contentamento por saber que existe esperança pra nós seres humanos, enquanto houver amor em nossos corações…

    Tenho uma vó que enfrenta o mal de Alzheimer, e é doloroso ligar pra ela, falar com ela, ou passar na casa dela e dar um carinho e no outro dia ela me vê e simplesmente diz: Olá meu netinho, há quanto tempo? Mas insisto porque sei que lá no fundo desta mente deteriorada existe um coração, que bate de emoção todas às vezes que houve minha voz, que sente o meu abraço…

    Palavras sábias as suas Euba, que possamos valorizar não apenas nossos avós, mas todos os velhinhos que necessitam de ajuda pra atravessar uma rua, precisam de uma cadeira no ônibus ou metrô para sentar-se, precisam de carinho e atenção tanto quanto as crianças que amamos…

    Me vêm a mente agora o filme O Curioso Caso de Benjamin Button, filme belo que trata acerca de vida, morte, juventude e velhice.

    Levem seus avós ao cinema pra ver este filme… Será no mínimo divertido… mesmo que ele cochile durante o longo tempo de exibição…

    Aliás levemos nossos avós para praia, clube, shopping, e onde podermos levar, um dia eles não poderão mais andar, no outro falar, no outro lembrar, e quando partirem será tarde demais pra lamentar o tempo perdido…

    Um abraço pra vc que leu todo meu comentário de coração…

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  6. Tiago / ony2005

    Não tenho mais avó nem avô mas ate hoje lembro da intimidade que eu tinha com eles, depois da sua morte fiquei praticamente 1 ano e meio sem me comunicar com ninguem, apenas respondia o basico – sim não talvez -

    Hoje vivo muito ao lado da minha sogra, uma pessoa de 64 anos, muito inteligente e carinhosa. Aprendi varias coisas com ela e desde já fico tentando me conter para não sofrer muito quando o tempo acabar, talvez eu esteja errado agindo dessa forma, mas acima de tudo sei que vou precisar ser ainda mais forte para levantar e passar muita força para minha mulher e para minha cunhada.

    Força para você e para sua familia Euba.

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  7. Lu

    Richeau,lindo o texto.
    A alegria de conviver com a Amelinha merece mesmo ser dividida com tantos.Só entrei para confirmar a esses tantos o quanto ela te amava como neta e como ‘pedicure’…como ela gostava de você!
    Também para dizer que o rosto dela resplandecia quando ouvia ou via a Clara, como se fosse o sol entrando pela alma dela adentro.
    Mais uma que a gente passa junto nas madrugas, de forma fraterna e solidária, mesmo que eu não tenha (nem vá ter nunca, eu sei) um crachá como o seu.Muito afeto e um beijo!!!

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  8. Phoebe

    Que lindo, Euba… Claro que é impossível não chorar com essa homenagem que vc fez à bisa. Eu tb tive a sorte de ganhar uma avó “extra-pacote”, era uma irmã muito querida da minha avó, que meus pais convidaram para ser minha madrinha. Então tive essa sorte imensa de ter 3 avós mas, infelizmente, todas me foram tiradas muito cedo. Avó materna aos 4, paterna aos 8 e a terceira avó, a madrinha, partiu quando eu tinha 12. Acho lindo demais quem chega à idade adulta tendo ainda seus avós, e fico triste por ver que, no geral, o povo pouco liga para eles. É como vc disse, são avós de festas e comemorações – e olhe lá. Se a festa não for na casa do avô/avó, ou se ele(a) não puder comparecer, corre-se o risco de que ninguém vá visitá-lo nem mesmo na tal “data especial”. Lindo, Euba! E sinto muito pela bisa, mas com certeza ela está melhor agora, sem as limitações que ela tinha, e com certeza continua rezando por todas vcs lá de cima.
    Bjs!

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  9. Rachel

    Euba, você me levou às lágrimas em pleno escritório. Avó é um assunto que sempre me toca. Minha avó materna, a que me criou, está viva, mas devido ao alzheimer, não sabe mais quem eu sou.
    Meus pêsames.

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  10. Wilson

    Quem só se lembra dos avós em datas comemorativas nunca vai saber o que está perdendo. Que tal você, que se emocionou com o texto da Euba, dar um alô para os seus avós, ainda hoje ou o quanto antes?

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  11. Erick Santos

    Sinto pela partida mas as lembranças que ficam são mais forte que a ausência.

    Muita força nessa hora e a felicidade de uma papel muito bem cumprido.

    Infelizmente não tive a sorte de minha avó conhecer a sua bisneta, contudo tenho seus ensinamento em meu corpo e alma, e a propagação da vida que ela gerou e cuidou por 88 anos são exemplos que podemos e devemos fazer deste mundo um lugar melhor.

    Bjs

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  12. DR

    Que coisa mais fofa essa bonitinha com a bisa!!!! Tem abraço, tem beijinho, tem até papinha na boca!
    E que lição de vida gostosa de se ver (e sentir!). Vó é tudo de bom! Das melhores experiências e lembranças que tenho. Tive o privilégio de passar minha infância pertinho da minha. Vivi 3 x mais tempo (no mínimo…) que essa fase, e são das mais marcantes lembranças que hoje carrego.
    Que bom que essa bisa bonitinha aí ganhou tanto carinho dessa netinha fofa, e vice versa!
    beijo p/ vocês, DR

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