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Evolução



Por Rachel Barbosa - 2 de março de 2009. Categorias: animais.

Semana passada dei de cara com a revista Super Interessante em uma banca de jornais e na mesma hora tive que comprar. O motivo: um beagle na capa e a matéria principal “Cachorros – por que eles viraram gente”.

A matéria retrata o cão como um grande sucesso evolucionário. Descreve em detalhes como, há 15 mil anos atrás, quando o homem deixou de ser nômade e começou a plantar, os lobos se associaram aos humanos. Os lobos começaram a comer o lixo deixado pelo homem e aqueles que venciam a tendência natural da espécie de ser arredia se alimentavam melhor, porque não corriam cada vez que um humano se aproximava. Em pouco tempo havia duas classes de lobos: os totalmente selvagens e os que viviam perto dos aglomerados humanos. Esses últimos começaram a mudar, fisiologicamente falando. Seus corpos e cérebros se tornaram menores porque já não precisavam mais caçar. Parte dos instintos desapareceu e os que ficaram foram aqueles agradáveis ao homem. Depois de 15 mil anos essa nova espécie recebeu o nome de Canis familiaris.

Quando a gente olha aquele peludinho dormindo no sofá não se lembra que, de certa forma, tem um pequeno lobo em casa!

Então homem e cão vivam juntos, mas nem por isso o cão estava autorizado a ser um inútil. Para comer os cães precisavam trabalhar. Até a Revolução Industrial quase todo cachorro tinha um emprego: guiar ovelhas, guardar a casa, caçar, puxar trenós. Com a Revolução Industrial o homem deixou o campo para viver na cidade e com isso muitos cães ficaram desempregados. Novamente a espécie se adaptou e aqueles mais dóceis foram os primeiros a entrar nas cidades, mas agora transformados em bibelô e como símbolo de status.

Infelizmente o final dessa história não tem sido um mar de rosas. Os cães de hoje simplesmente não têm o que fazer e isso desencadeia problemas psicológicos. A revista informa que existem 9 vezes mais cachorros doidos do que pessoas doidas, e que 77% dos cães americanos tomam algum tipo de remédio. E nos convida a fazer uma reflexão, imaginando ser um cachorro. O dono te leva para passear pela manhã, depois sai para trabalhar e você fica em casa. Quando ele volta, seu passatempo predileto é tentar chamar a atenção do seu dono, que estará muito cansado para brincar o tanto que você deseja. Ou você fica doido, ou começa a descontar sua frustração fazendo o que não deve.

Entendeu agora como seu cachorro se sente? Meu marido uma vez me falou que a gente sai pra trabalhar, conversa com gente nova, anda na rua, enquanto o cachorro fica trancado em casa. E ainda tem gente que acha que cão de pequeno porte não precisa sair na rua, pode viver o tempo todo trancado dentro do apartamento. Outros acreditam que o quintal oferece espaço suficiente para o cão grande se exercitar, por isso ele também não precisa sair.

Essa espécie surgiu associada ao trabalho. Eles precisam ter uma função, um emprego. Mesmo o poodle, o tradicional “cachorrinho de madame”, foi criado para o trabalho. Originalmente a raça era utilizada para recolher na água as aves que o dono abatia a tiros, por isso na tosa tradicional, a tosa leão, o poodle fica cheio de pelos no peito e na cabeça, para protegê-lo da água gelada. Cães sentem prazer em obedecer comandos no adestramento por se sentirem úteis.

Pense em tudo isso e arrume um emprego para o seu peludinho. Pra ele tanto faz ser escalado para o elenco de um filme, ou trazer o chinelo quando você chegar em casa. Ficará feliz da mesma forma.

Deixo aqui uma sugestão de “trabalho” canino e gancho para o tema da próxima semana. Faça agility com seu cão!

Para saber mais leia a Super Interessante de março/2009 (edição 263).

Rachel Barbosa
http://rachelbarbosa.com.br

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4 Comentários to Evolução

  1. Ronald

    Rachel, é mais fácil ver um cachorro como o dessa imagem do que um dono recolhendo a sujeira. Lamentável, mas é a pura verdade.

    [Responder]

  2. Que Gracinha | arquivos | A evolução dos cachorros

    [...] o post direto do Monalisa de Pijamas [...]

  3. Augusto

    Concordo com o artigo. Tenho caes e isto tudo e verdade. Eles, por viverem ao ar livre, ainda mostram muito dos seus ascestrais, ainda cacam, mas nao para comer. Mas sao fieis e companheiros.

    [Responder]

  4. Agility | Monalisa de Pijamas

    [...] Na semana passada falamos sobre a evolução do cão desde os tempos de lobo e como a vida atual de bichinho de estimação pode ser problematica porque o cachorro não tem um trabalho, como tinham seus ancestrais. Prometi uma sugestão de “trabaho” para os cães, por isso hoje falaremos sobre um esporte chamado agility. [...]

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