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Cruzar ou não cruzar, eis a questão



Por Rachel Barbosa - 12 de agosto de 2009. Categorias: animais.

//www.flickr.com/people/tainara/

Foto: Tainara http://www.flickr.com/people/tainara/

Esta semana assisti no canal a cabo Animal Planet, o documentário Segredos do Pedigree. O programa falou sobre doenças caninas que têm origem genética e são exacerbados pelos cruzamentos consangüíneos e pela falta de critérios éticos nos cruzamentos. Esta semana, também, a cadelinha de uma das minhas funcionárias, enfrentou sérios problemas de saúde decorrentes de uma gravidez mal sucedida e quase morreu. Em um fórum que participo, algumas pessoas estão discutindo os problemas comportamentais decorrentes de cruzamentos mal selecionados. Por tudo isso, resolvi escrever sobre cruzar ou não cruzar o seu cachorrinho.

Essa questão não deve ser pensada apenas por criadores, donos de canis. Você, que tem um cãozinho ou gatinho de estimação em casa, também deve pensar no assunto. Muitas pessoas que têm bichinhos gostariam de vê-los ter filhotes. Outras pessoas acham que essa é a ordem natural das coisas. Não é bem assim.

Em primeiro lugar é preciso pensar nos filhotes que virão após a cruza. Nem sempre é fácil conseguir bons lares para os bichinhos. Eu, por exemplo, ganhei o Galileu, meu poodle, porque a pessoa que havia dito querer o filhote, desistiu na última hora. Tem muita gente que, empolgada, pega o bicho e depois se arrepende. Os abrigos estão cheios de animais abandonados pelos donos pelos mais variados motivos. Outra possibilidade é que o dono fique com pena de doar os filhotes e acabe ficando com todos. Com cães ou gatos demais em casa, os animais podem perder qualidade de vida.

Em seguida é preciso pensar na saúde dos pais e dos filhotes. Muita gente não sabe que machos e fêmeas só devem cruzar depois de completarem 18 meses de idade. Antes disso os corpos não estão completamente amadurecidos. A fêmea pode ter problemas de saúde com a gestação e tem mais facilidade de abortar. O macho freqüentemente sofre fratura no pênis quando cruza com menos de 18 meses. Infelizmente, donos que não sabem disso colocam fêmeas para cruzarem logo no primeiro cio.

Ainda é preciso avaliar a saúde dos pais para que os filhotes tenham mais chances de nascerem saudáveis. Se os pais tiverem problemas que possam ser transmitidos hereditariamente, a chance que os filhotes tenham os mesmos problemas é grande. São doenças como displasia (encaixe defeituoso entre a cabeça do fêmur e o osso pélvico), epilepsia, doenças cardíacas, etc. O que torna a avaliação mais difícil é que muitas dessas doenças não dão sinais nos primeiros anos de vida do animal. Se você realmente pensa em cruzar seu bichinho, faça uma avaliação dos pais com o veterinário. Ele irá avisar até mesmo se a cadelinha é pequena demais. Muitas pessoas preferem cães bem pequenos, mas as fêmeas muito pequenas têm mais problemas com a gestação. Foi o que aconteceu com a cadelinha da minha funcionária, que será castrada, já que não tem condições de manter a gravidez.

Finalmente, é necessário avaliar os traços comportamentais dos pretensos pais. Sim, comportamento também pode ser herdado. Foi basicamente esse quesito que norteou os criadores na seleção das raças. O labrador, por exemplo, foi criado a partir de cães que gostavam de buscar coisas e tinham mordida suave, para recuperar a caça abatida pelo dono e entregá-la sem danificar a carne. Se você cruzar dois cães medrosos, por exemplo, a tendência é que os filhotes também o sejam. Se cruzar pais agressivos, os filhotes também serão. Boa parte dos casos de cães assassinos que vemos nos jornais são fruto de cruzamentos realizados sem a devida avaliação comportamental dos pais.

Por tudo isso, a melhor solução é castrar seu cão ou gato. Além de eliminar o risco de cruzas indesejadas, a castração acaba com diversos problemas comportamentais, como xixi pela casa toda, e previne câncer ginecológico. Castre o mais cedo possível. Filhotes com poucos meses de vida podem ser castrados. Pense em tudo isso, pela sua felicidade e pela felicidade do seu animal.

Rachel Barbosa
http://rachelbarbosa.com.br

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1 Comentário to Cruzar ou não cruzar, eis a questão

  1. Carolina

    Achei esse post muito bom. A superpopulação de animais é um grande problema em cidades do mundo todo. A pessoas cruzam seus animais e pensam “eu dou para alguém”, como se tivesse gente o suficiente para o tanto de animais que existe. E ainda tem pior, quem cruza para vender e lucrar em cima do animal. Para essas pessoas seus animais são apenas coisas.
    Quem não está preparado para se responsabilizar por todos os filhotes (mesmo depois de doados, verificando se estão sendo bem tratados e recebendo de volta se necessário)durante toda a vida deles não deve deixar que seus animais cruzem.

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