Porque fazer humor e podcast é uma arte

































Festa de Criança


Autor: Eubalena ~ 13 de março de 2009. Categorias: Cantinho das Monas.

Este texto foi publicado no meu falecido blog no ano passado e, como estou entrando nesta fase de novo, resolvi posta-lo novamente para ver se eu me convenço que é muito mais fácil levar a guria para o Beto Carrero e abandonar minha vida de promoter infantil.

Mãe pagando mico de Branca de Neve (ps. Eu sou a pobre mãe)

Caí na besteira de inventar uma festa de 3 anos para minha filha. Atente para a idade: 3 anos.
- Bom, diria meu querido leitor, nada mais normal que uma mãe preparar uma festa de 3 anos para a filha.
Normal, claro! Isso se eu não tivesse tomado um susto com o que se tornou uma simples festa de aniversário nos dias de hoje.
Ano passado vi umas fotos do meu tempo (ou seja, antigas) dos aniversários dos meus primos. Era tudo igual todo ano. Tá, o bolo variava: um ano era quadrado, no outro redondo. A mesa era decorada com os pratos de salgados, de doces e com as garrafas de Laranjinha Água da Serra com um “chapéu” (não lembro o nome do negócio que enfeitava a garrafa). Ninguém comia nada até cantar os parabéns, que se dava logo após uma rápida contagem dos convidados para ver se a maioria, os padrinhos, os avós e aquele tio que sempre levava o presente mais legal já tinham chegodo. Depois disso, todo mundo comia e ia pra rua brincar e isso sem recreador. Dá pra imaginar uma festa sem recreador? Pois é, já existiu uma época onde não precisava de recreador em festa de criança. A gente brincava de ré de pegar, ré de esconder, ré de bandeirinha, futebol, casinha e, mais tarde, de namoro atrás da porta e de médico (mas essa parte minha mãe não pode ler).
Mas agora ta tudo muito diferente. A primeira coisa é que toda festa tem de ter um tema. E eu pergunto:
- Pra que tema?
Eu sempre achei um saco minhas festas terem tema. Principalmente porque nasci no dia de São João e adivinha! Eu só tive festas juninas! Mas, tirando meu recalque com tema junino e voltando ao assunto, festa tem de ter tema e pronto. Pronto e a mãe que se dane atrás de tudo.
Daí sai a pobre mãe e se joga de corpo, alma e sola de sapato numa rua de comércio popular para catar pratinho, copinho, toalha, guardanapo, toalha de mesa, centro de mesa (no meu tempo só tinha uma mesa para tudo), balões e afins. Tudo isso com as Princesas ou o Bob Esponja olhando pra gente e juro, eles ficam olhando com ar de sacana e rindo da nossa cara.
Como se não bastasse, ainda tem de arrumar lugar, comida e bebida. Agora não bastam só salgados e docinhos. O negócio é inventar: mesa de guloseimas, mesa disso, mesa daquilo, cantinho light, cantinho kid (kid é como se chama criança em português), cantinho baby, cantinho da puta que pariu!
E lá ta o recreador fazendo coisinhas, brincadeirinhas, joguinhos. Puta merda, criança de hoje não vem com o chip de invenção de brincadeira instalado?
Ah, tem de ter uma retrospectiva. Os melhores momentos dos longos anos vividos pelo aniversariante. Agora vamos combinar: para todo mundo, uns 10 minutos, no mínimo, para assistir ao primeiro banho, primeiro arroto, primeiro passeio… uma beleza! Melhor que isso, só assistir fita do Baile de Debutantes do I.A.C. de 1988.
Daí o povo canta os parabéns, mas o da Xuxa. Aquela música cooooompriiiiidaaaa. E, depois disso, vai todo mundo embora. Claro que sem antes pegar a lembrancinha. E ai vem o penúltimo capitulo: não rola mais saquinho surpresa cheio de balas e anel de sorvete de maria-mole. O negócio é super produção e divide-se em categorias: lembrança para mulheres, meninas, meninos, homens e os mais diversos subgrupos.
E quando eu achei que era só chegar em casa e abrir os presentes, eis que me deparo com uma surpresa: tem de ter um cartão de agradecimento!

Baixei o decreto em casa: festa agora, só no casamento dela!

Beijos

Euba.





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