Porque fazer humor e podcast é uma arte

































Bastardos Inglórios – e se você pudesse mudar a História?


Autor: Mafalda ~ 28 de setembro de 2010. Categorias: MonaCine, Sofá da Mona.


Capa do DVD lançado no Brasil

O cenário é a II Guerra Mundial e seus horrores ímpares.
Não há nenhuma guerra sem dor ou perdas, mas a II Guerra foi marcada por apresentar ao mundo novas fronteiras da crueldade e pela personificação/concretização da loucura maligna na figura e no projeto hegemônico de Adolf Hitler. Foram milhões e milhões de vidas exterminadas. Judeus eram as vitimas principais, mas também deficientes, ciganos, homossexuais, eslavos, testemunhas de Jeová.
No cinema, na televisão e na literatura, a II Guerra já rendeu (e ainda renderá) inúmeras produções.

Em 2009, chegou a vez de Quentin Tarantino contar sua estória. Não importa o quanto um tema tenha sido explorado, Tarantino sempre consegue renová-lo com sua narrativa pop e esse é um dos motivos pelos quais seus filmes sempre detêm minha atenção. Vejo o diretor como um grande artista especialista em fazer colagens/montagens. Todas as referências cinematográficas (do western ao cinema francês) podem aparecer em qualquer filme seu, sem que isso destoe ou pareça forçado. Mistura pop refinada. Seus filmes trazem esse elemento comum: estilos, personagens, tempos, músicas, culturas e atores em uma overdose de referências (e quanto maior a bagagem do espectador, mais conseguirá identificá-las).

Preciso dizer que a trilha sonora é interessante também? Essencial para ditar o clima e o ritmo dado a certas cenas e uma assinatura dos filmes de Tarantino, que nunca faz escolhas óbvias. Neste, a trilha é assinada pelo italiano Ennio Morricone (Os Intocáveis; A Missão entre tantos). Há inserções de músicas modernas. Destaque para Cat People/putting out the fire de David Bowie na cena da maquiagem da personagem Shosanna. Genial.


A atriz Mélanie Laurent em cena memorável ao som de David Bowie.

Bastardos Inglórios se passa na França ocupada pelos nazistas. Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent) testemunha a execução de sua família pelo coronel Hans Landa (Christoph Waltz ganhou o Oscar por este vilão – aliás, do pior tipo: inteligente, frio e de fala mansa). A garota foge e anos depois a reencontramos em Paris na pele de uma cidadã francesa proprietária de cinema. Paralelamente, o tenente Aldo Raine (Brad Pitt – imprimindo as cores primárias e toscas que sua personagem exigia) comanda um grupo, denominado pelos inimigos de Bastardos, composto por judeus norte-americanos que estão na Europa com o objetivo de matar e escalpelar oficiais nazistas. Aliados à atriz/espiã alemã Bridget von Hammersmark (Diane Kruger- lindíssima), os Bastardos aderem a um plano dos aliados para derrubar os principais líderes do Terceiro Reich. Com o desenrolar da trama, todos se cruzam no cinema de Shosanna. Todavia, esta também arquiteta sua própria vingança contra aqueles que assassinaram sua família. Não busque no filme nenhuma fidelidade a fatos históricos ou preciosismo no trabalho de ambientação e caracterização da época. Para um filme de Tarantino, até que as cenas de violência são menos freqüentes (atenção, eu disse “para um filme de Tarantino”), mas são inevitáveis e até catárticas em alguns momentos (a parte final do filme justifica tais adjetivos).


Os Bastardos em ação e o vilão Hans Landa (destaque)

Roteiro bem amarrado, suspense na medida certa, senso de humor (com doses de sarcasmo) e elenco impecável, nas mãos criativas de um diretor com estética e linguagem próprias resultaram em uma trama que prende o espectador. Além disso, é um filme que depende de boas interpretações de seu elenco, aspecto que pessoalmente valorizo. Os diálogos são longos em algumas cenas, mas nunca desnecessários. A palavra é o principal “efeito especial” do filme. As experiências brutais, a dor e a impotência sofridas pelos que vivenciam uma guerra e o holocausto podem ser transformadoras e mudar os conceitos sobre o bem e o mal, o certo e o errado, subvertendo normas e regras sociais. Vale tudo para tentar mudar o rumo assustador que a História trilhou naquela época, incluindo missões visivelmente suicidas (e se você tivesse a chance, não faria o mesmo?). Bastardos Inglórios nos faz refletir. Em cartaz no canal Telecine (cabo) ou disponível em DVD.


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Selo peixe Grande 2010


Aqui se faz, aqui se paga…


Autor: Mafalda ~ 29 de julho de 2010. Categorias: Ponto Gê.

Cansei de ouvir minha mãe, levantando os olhos do casaco de tricô que confeccionava para dizer aquela velha frase celebre e que serve de consolo quando alguém é desonesto conosco: ‘aqui se faz, aqui se paga minha filha’.

Apesar de não acreditar muito na vingança divina, isso sempre serviu como um prêmio de consolação para aquela amiga que roubou seu primeiro namoradinho de escola ou para aquela amiga devassa que te deu o maior corno da história. Ou para qualquer outra situação que saímos prejudicados e que não temos condições e nem crueldade suficiente no coração para uma vingança daquelas.

Em casos como esse, sempre temos aquela pequena esperança de que o Senhor Todo Poderoso em toda sua magnitude irá olhar por nós e fazer aquela vaca quebrar as duas pernas. Algumas vezes esperamos em vão, outras somos atendidos.

Mas e o dia que o feitiço vira contra o feiticeiro.

Um dia fui solteira, um dia não, boa parte da minha vida até o momento atual. Bom, isso não importa. O que quero dizer é que na alegria dessa solteirice eu adorava, mais a-do-ra-va mesmo, ser a última a sair do barzinho no final da noite e início da madrugada. Para toda ira de donos de restaurantes e garçons.

Mas, as coisas mudaram. E Deus resolveu rir na minha cara. Aquela frase dita pela mamãe, com voz doce e ar de superioridade, se tornou uma bela ironia. E agora começo a pensar que talvez a velha não falasse aquilo para me confortar e, sim, para me avisar. Já nem vejo aquele olhar de carinho, vejo uma cara cínica me avisando que um dia eu também ia arrancar um pedaço da língua. E Deus fez com que viesse a primavera. E junto com o inverno foi também a minha solteirice e veio um namorado proprietário de restaurante. E aqueles momentos divertidos com os amigos, aquelas madrugadas sendo a única mesa que restava no recinto, me sentindo a última gladiadora na arena se tornaram o meu pior pesadelo.

Agora sou eu a pessoa atrás do balcão desejando a morte de todos aqueles que não sabem a hora de partir, daqueles que não deixam nem um pingo de saudade, daqueles que me fazem desejar que um pedaço do forro caia na cabeça de alguém. São eles os responsáveis pela minha admiração e por me fazer assistir três vezes jogos mortais 1, 2, 3, 4, 5 e 6.

Se arrependimento matasse, eu estaria aqui morta no chão, desejando desculpar-me com cada garçom e dono de bar no qual fiz aguentar minha presença bêbada, pedindo as últimas cinco saideras,  e ele esperando e suplicando um pingo de bom senso para poder ir embora, deitar em sua cama quentinha, ao lado da pessoa amada.

Mas ao invés disso, estou aqui, em uma quinta-feira, faltando alguns minutos para as 2 horas da madrugada, esperando que Deus ilumine a cabeça daquela última mesa e todos se levantem educadamente e caminhe em direção a saída.

Mas aqui se faz, aqui se paga… eles não vão embora tão cedo.

Amém

Beijos arrependidos





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