Porque fazer humor e podcast é uma arte

































Dance pra dar um up!


Autor: Eubalena ~ 23 de fevereiro de 2011. Categorias: Curtindo a Vida, Mona POP, Sofá da Mona.

Calor, excesso de trabalho, volta às aulas, retorno da rotina, fim do horário de verão, grandes desafios pela frente, final de um relacionamento, assédio no trabalho, whatever… Cada um terá seus próprios motivos em qualquer fase do ano para se sentir meio cansado e/ou desanimado. Mas a vida não é como na novela, em que as pessoas vivem pra sentir e ninguém interrompe um pensamento filosófico com a lembrança de que a geladeira está vazia e é preciso ir ao mercado, mesmo sem vontade. A vida real é dura e segue.

Então a gente precisa de alguma coisa pra dar um up. Que seja para rir, para lembrar-se do que de fato importa, que seja pra tomar coragem, pra se inspirar. “Inspirar”… A própria palavra já revela sua importância, pois nos lembra de ar nos pulmões, oxigênio, energia, vida. E dançar, mesmo sem saber é tão bom! Uma vez vencida a timidez inicial na pista de dança ou no anonimato de quartos e salas, nada como soltar a franga dançando. E foi pensando um pouco sobre isso que selecionei algumas (das muitas) cenas que sempre me trazem algo de bom.

Todos nós guardamos um pouco da revolta e indignação adolescente. Impulso de vida. Quem nunca quis sumir em meio ao som bem alto, fugir na letra de uma música ou sair dançando por aí lindamente, dando uma banana para os problemas? É o que lembro quando vejo esta cena de Billy Elliot.

Depois de pegar pesado o dia todo, trabalhando como soldadora (sim, você leu isso mesmo) nossa heroína ia para casa de bicicleta. Chegando em casa, o que fazer para relaxar? Dançar e ensaiar como se não houvesse amanhã! Polainas e esparadrapo nos pés, um péssimo corte de cabelo, uma vida sem escova progressiva e muita atitude! Você fica dias cantando “she´s a maniac..” depois desse vídeo e periga se matricular em uma aula de jazz ou sapateado (uma amiga minha me dizia que essa cena dava ânimo para fazer dieta… rsrs).

E quem nunca sonhou dançar com aquela pessoa especial? Mas nada de bailinhos em garagens ou boatinhas. Nos sonhos a gente dança bem e dá show. A gente abre a pista! Sim, nós sempre causamos. Adoro essa cena do filme “Perfume de Mulher” em que o protagonista (cego) conduz esse tango de parar a respiração…

Um dos filmes que sempre assisto quantas vezes reprisar é “De repente trinta”. Tem coisas fundamentais que sabemos aos treze e esquecemos aos trinta. Uma delas é a capacidade de não ter vergonha (e noção) para nos jogarmos na coreografia daquela música. Irresistível.

E nada como auto-estima, não? Aquela sensação de se sentir bem na própria pele. De ter a coragem de chamar o povo pra dançar na festa da firma, acreditando saber dançar. E curtir. Fechar os olhos e esquecer os olhares chocados e constrangidos. Ninguém sabe se te socorre ou se dança junto… Confesso que adotei o estilo Elaine de dança livre há muito tempo. Desde que a música eletrônica tomou conta do mundo e meus passos old school dos anos 80 e 90 não se encaixavam mais com “músicas” parecidas com sirenes e ruídos de computador.

Na próxima vez que você tiver vergonha de dançar e curtir, lembre-se dessa cena e divirta-se!


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“Billy Elliot” faz 10 anos


Autor: Mafalda ~ 25 de agosto de 2010. Categorias: Sofá da Mona.

O filme Billy Elliot (2000) completou 10 anos e continua atual. Tanto que se transformou em musical de sucesso na Broadway. Billy (Jamie Bell) é o caçula de uma família composta pelo irmão mais velho, o pai e a avó idosa e já meio “gagá”. O sustento familiar vem da dura atividade da mineração, exercida pelo pai e pelo irmão e destino inexorável do pequeno Billy e da maioria dos garotos pobres da cidade.

Estamos nos meados da década de 80. A Inglaterra, então comandada pela “Dama de Ferro” Margareth Thatcher enfrenta grave recessão, inflação e empobrecimento da já modesta classe operária. A histórica greve dos mineiros de 1984 permeia a trama, acentuando a precária situação familiar de Billy. O desamparo que parece atingir a todos é bem representado pela ausência da mãe de Billy (precocemente falecida). A tentativa de manutenção de sua “presença”, quer seja preservando seu piano ou suas poucas jóias (mesmo num período de penúria) revela o tamanho de sua ausência.

É tempo de indignação, desigualdade social, repressão, dor e reflexão sobre os valores capitalistas e neoliberalistas. A realidade conhecida parece entrar em colapso. Numa cidade de homens endurecidos, Billy é estimulado a praticar boxe, esporte másculo e vigoroso. É com a luta que se espera forjar a força. Todavia, no mesmo ginásio das aulas de boxe, em um canto sem beleza, Mrs. Wilkinson (Julie Walters) ministra aulas de balé para meninas. Atraído pela música (que lhe lembra a mãe), Billy observa a aula. Encantado com a dança, o garoto nos mostrará quanta força é necessária para poder ser sensível.

A atriz Julie Walters (indicada ao Oscar e ao Globo de Ouro por esse papel) encarna a frustração e o aprisionamento em uma vida claustrofóbica. Fuma o tempo todo (buscando algum alívio ou prazer?), imprimindo uma sensação de sufocamento e desespero. O convívio com Billy expõe algumas de suas feridas, mas suscita-lhe alguma reação. Ela precisou anestesiar-se para sobreviver. Suas aulas de balé para meninas para quem se almeja apenas a repetição do destino de suas mães (casamento) não motivam a professora e ainda lhe trazem ecos amargos da própria história. E então, o pequeno e talentoso Billy Elliot surge, com sua ousadia crua, revirando seus sentimentos. Porque é necessária força descomunal para manter viva a esperança enquanto se cresce e envelhece em uma realidade tão desvitalizante.

A personagem da professora comove, assim como a do pai embrutecido, sem precisar apelar ao piegas. O sofrimento, a desilusão, as dores que a vida impõe são tantas que são necessárias muitas camadas para que se forme um escudo que nos permita ir adiante. Para que alguns sentimentos possam respirar novamente, muitas camadas precisam ser removidas. E para que o futuro de um garoto não seja sufocado. Na ânsia de evitar sofrimento, de buscar “estabilidade” e por preconceito é freqüente vermos adultos podando jovens talentos, especialmente em áreas menos conhecidas pela maioria, como as artes. É melhor mesmo que os filhos trilhem os caminhos dos pais? O que fazer se meu filho buscar alçar vôos em céus que jamais percorri? Para pensar: quantos de nós não fomos como Billy e quantas crianças semelhantes não conhecemos? Quanto todos perdemos ao reprimirmos a verdadeira vocação e talento de nossos jovens?

Em meio à miséria material, em que manter o corpo quente e arranjar algum alimento se tornam problemas centrais no cotidiano, o brincar e o sonhar tornam-se secundários. E de que consistem, em grande parte, a infância e a adolescência? Atropelado pela pobreza, Billy se torna uma criança como tantas por aí: uma criança que não é de fato vista. Olhar para ele é difícil para o pai, tamanha semelhança do filho com a esposa falecida. Olhar para o filho significa ter que romper com tudo aprendido e conhecido em seu estreito e modesto universo operário. Afinal, o que os colegas dirão quando souberem que seu filho quer dançar balé? Será que o menino é homossexual?

Que futuro pode haver para um garoto desses? Há mais além de ser mineiro? (Atenção ao diálogo travado entre pai e filho em uma viagem de ônibus, quando Billy pergunta como é a capital Londres. A resposta do pai o define e é por esse motivo que a construção de seu reconhecimento é tão tocante).

O olhar da professora sobre o garoto é peça-chave na história. É ela quem vê Billy e o nota. Ela vê o garoto, sua família, seu contexto. Não permite que suas próprias frustrações se projetem amargamente. Pelo contrário, vê em Billy um candidato a redentor. Um resgate do que poderia ter sido. Ela compra sua briga como uma leoa que defende seu filhote (ou o filhote que ela mesma foi um dia…).


Billy em plena aula com Mrs. Wilkinson.

A trilha sonora de Billy Elliot é uma personagem essencial da trama. Desafio qualquer pessoa a assistir e não se contagiar com a cena em que um Billy revoltado dança em seu quintal e vizinhança com fúria. Quem de nós nunca sentiu o mesmo?


Momentos da antológica dança de Billy no quintal

O filme foi a estréia como cineasta do conceituado diretor teatral inglês, Stephen Daldry. Talvez venha daí o fato da trama, sem efeitos especiais ou cenários bonitos e centrada na interpretação de seu elenco, prender–nos do início ao fim. Assistir uma história de superação e resiliência ainda pode garantir entretenimento e enriquecimento para espectadores de todas as idades. Mesmo com alguns desfechos previsíveis, o mais importante é a jornada e não o destino. Em cartaz na TV a cabo (no AXN) ou em qualquer locadora de DVD perto de você.


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