Analisando um comentário deixado na primeira publicação da coluna, pela Luh, resolvi escrever sobre romantismo. Antes disso, vou transcrever o comentário postado.
Luh: O Romantismo não está fora de moda, quem diz isso é porque não sabe o real significado da palavra romantismo.
Concordo em número, gênero e grau. O romantismo jamais irá se tornar fora de moda. No entanto, é fato, que ele se adapta as modernidades e sofre consideráveis mudanças. O que já foi muito romântico, hoje, pode deixá-lo em uma situação constrangedora. Como uma serenata no trabalho, por exemplo.
Como movimento artístico e filosófico o romantismo surgiu nas últimas décadas do século XVIII na Europa, que perdurou por grande parte do século XIX. Sua visão de mundo era contrária ao racionalismo. O que inicialmente representava apenas uma atitude, um estado de espírito, tomou mais tarde a forma de um movimento e o espírito romântico, passa a designar toda uma visão de mundo centrada no indivíduo. Os autores românticos voltaram-se cada vez mais para si mesmos, retratando o drama humano, amores trágicos, ideais utópicos.
Entendendo um pouco o movimento, podemos analisar com maior embasamento o romantismo como atitude, como sentimento. Partindo desse sentido, pode-se dizer que o romantismo é um ato que vai de encontro a razão, que se baseia nos sentimentos, na intuição. Sem se preocupar com as consequências, o romantismo surpreende, inova, liberta.
No dicionário, o adjetivo romântico está relacionado ao poético, ao idílico. Atualmente, as opiniões sobre o tema divergem. Há quem ache tudo muito cafona e ultrapassado e há quem acredite que sem romantismo não existe amor. As opiniões podem chegar tanto ao extremo, que esses dias me aconteceu um fato intrigante, algo que não posso deixar de compartilhar com você. É comum na minha vida semanal, toda sexta-feira, pegar um ônibus e fazer uma viagem curta, de aproximandamente uma hora, para a cidade onde meus pais moram. Em uma dessas minhas viagens, não pude deixar de ouvir a conversa de duas jovens. Uma delas se lamentava pelo fracasso de sua vida amorosa e contava à outra, que conheceu um cara mais velho. A amiga a incentivou dizendo que poderia ser um relacionamento diferente, mais maduro. Então a moça continuou explicando que esse tinha sido, também, o seu pensamento. Por tal motivo, resolveu aceitar o convite para um jantar. Ela contou: “Me buscou em casa, quando fui entrar no carro ele abriu a porta. Quando chegamos no restaurante, puxou a cadeira, pediu um vinho, pagou a conta e abriu novamente a porta do carro para eu entrar antes de irmos embora”. Preparem-se…A amiga então perguntou, o porque do relacionamento dos dois, não ter dado certo. E pasmem, mas ela respondeu: “Ah, ele era muito romântico, que horror. Me dá um nervoso o cara abrir a porta do carro pra mim. Credo, achei o ‘Ó’”.
Enquanto eu tentava entender, que aquilo não era um sonho, ela completou. “Gosto mesmo é de cara cafasjeste”. Irônico. Principalmente para uma pessoa que acabara de reclamar de sua situação amorosa. Se todas, até o momento, estavam findadas ao fracasso, ela deveria estar feliz, afinal, gosta mesmo é de sofrer com um cafajeste.
Bom, não sei se foi pela minha criação, mas meu pai sempre abriu a porta do carro para minha mãe e irmãs. Para mim, uma delicadeza mais que natural, demonstra proteção e cuidado.
Não podemos confundir romantismo com exagero e perseguição. Antes de ser romântico (a), conheça bem o jeito e os gostos da pessoa amada. Isso não significa que você não possa inovar e surpreender e, sim, que você saberá exatamente o momento certo de fazer. Um carro de tele-mensagem na frente do escritório não é uma boa pedida, em hipótese alguma.
O mais importante é que romantismo não está e nunca ficará fora de moda. Existem mulheres e homens que não gostam. Existem sim, mas esses passam a vida se questionando. Amar é ser romântico não tem como evitar. Dos mais discretos aos mais extravagantes. Momentos e recordações que ficam na memória para sempre e que são contadas à gerações. E você, já fez ou recebeu um gesto de amor? Pode nos contar?
Todo momento é tempo de romance.
Deseje e viva o romantismo, deixe a razão para quando for inevitável.
Beijos…
Gê

