Porque fazer humor e podcast é uma arte

































Slash – a autobiografia


Autor: Phoebe ~ 20 de janeiro de 2009. Categorias: Cantinho das Monas.


Quando veio à tona a notícia sobre o fim do Guns´N´Roses, logo imaginei que alguém da banda acabaria contando para o público os motivos que levaram à separação. O que eu – assim como talvez 90% dos fãs – jamais poderia imaginar é que os bastidores seriam revelados justamente por ele, o misterioso Slash.

A imagem do cara caladão que vivia chapado escondendo o rosto atrás dos vastos cabelos e da sua inseparável cartola negra não combinava, definitivamente, com a idéia de que seria justamente ele o primeiro a escrever sobre o início e o fim da banda, em “Slash – Parece exagerado, mas não significa que não aconteceu” (Anthony Bozza, ed. Ediouro). Como o Axl sempre foi a estrela performática do grupo, eu poderia jurar que seria dele esse papel – embora não duvide que também ele venha a lançar sua própria biografia, contando os fatos sob o seu ponto de vista, até mesmo para confrontar a história narrada pelo Slash.

Como fã da banda desde os seus primórdios, confesso que o Slash sempre exerceu um certo fascínio sobre mim. Além de ser um dos maiores guitarristas de todos os tempos, tinha também aquela aura misteriosa e sedutora. Ora, o cara raramente mostrava o rosto e ainda por cima criava cobras!

Portanto, assim que vi sua autobiografia na prateleira da livraria, puxei um exemplar e fiz algo que nunca havia feito até então: li pelo menos dez páginas do livro ali mesmo, de pé ao lado estante! O que era para ser apenas uma folheada virou um ato compulsivo e eu simplesmente não conseguia parar de ler. Acabei levando o livro para casa e devorando mais de 400 páginas em apenas três dias.

No fundo eu sempre acreditei que aquela imagem do Slash era uma bela encenação, puro jogo de marketing. A cartola devia ser um objeto utilizado apenas nos shows e nas fotos oficiais da banda, e aquele fascínio pelas cobras devia ficar restrito às visitas aos Butantãs da vida. Felizmente, o livro mostra que aquela imagem era verdadeira. Com um senso de humor admirável, ele relata diversas cenas de sua vida que mostram de forma clara o quão autêntico ele sempre foi.

Ele não teve vergonha de contar que era, digamos, cleptomaníaco e que boa parte (100% ?) de seu arquivo musical era formado por fitas roubadas. Não teve vergonha nem mesmo de contar que um certo objeto que antecede a sua fama também foi roubado de uma loja. Roubava até mesmo cobras e lagartos – e há histórias muito divertidas a esse respeito!

Sua paixão por cobras também foi retratada ao longo das páginas, com menções em quase todos os capítulos do livro. Há um trecho bem engraçado em que ele relata o caso de uma senhora que cuidou de suas cobras por um tempo e apaixonou-se por elas a ponto de acabar criando sua própria cobra… como um cãozinho de estimação. Até agora não consigo imaginar uma cobra fazendo as coisas que ele mencionou no livro!

Foi honesto também ao relatar suas inúmeras recaídas no mundo das drogas, mas sem aquele drama típico que ex-viciados costumam usar ao abordar o tema. Pelo contrário, há trechos realmente hilários em suas descrições, especialmente quando ele narra detalhes sobre uns certos monstrinhos que passou a ver com frequência. Mesmo em seus relatos de quase-morte, ele abre mão dos dramas e das lições de moral.

Sobre o Guns´N´Roses, é evidente que boa parte do livro traz detalhes da banda, desde sua criação até o fim. E nem poderia ser diferente, já que a vida do Slash se confunde com a trajetória do Guns de forma praticamente indissociável. É justamente nessas partes do livro que os fãs do Guns podem se deliciar com detalhes da história da banda: como foi o processo de criação das principais músicas, de onde veio o “Where do we go?” da letra de “Sweet Child O´Mine”, como eram os bastidores dos shows, que lembranças o Slash tem do show no Rock in Rio, a implicância dos caras da banda com os posers do Poison, enfim, detalhes que satisfazem a curiosidade dos fãs órfãos do Guns. Nos trechos mais dramáticos, ele mostra o comportamento destrutivo do Axl, a crescente insatisfação dos demais companheiros, a angústia de tentar descobrir se valia a pena persistir ou se era apenas questão de tempo para que o barco furado naufragasse de vez, até o fim propriamente dito.

Para quem gosta de rock em geral, há ainda relatos de encontros entre o Slash e alguns dos principais nomes do rock internacional, a exemplo do Steven Tyler (Aerosmith), Alice Cooper, Lenny Kravitz, Nikki Sixx (Mötley Crue), Sebastian Bach (Skid Row), Keith Richards (Rolling Stones), James Hetfield e Lars Ulrich (Metallica) etc.

Resumindo, é um livro imperdível!

Beijos da Phoebe!

vídeo: Slash fala sobre a autobiografia com David Letterman





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