Porque fazer humor e podcast é uma arte

































Ponto Gê: Amiga com SPSN-Síndrome da Pessoa Sem Noção


Autor: georgia ~ 13 de outubro de 2008. Categorias: Ponto Gê.

Tem gente que perde a oportunidade de manter-se calado. Essa importante arte, que poucos sabem como lidar e descartam facilmente do dia-a-dia, atinge homens e mulheres nas mais variadas situações. Pode ser no trabalho, nos relaciomentos afetivos e na roda de amigos, muitas tragédias poderiam ser amenizadas se a pessoa não perdesse a grande oportunidade de se manter em silêncio.

Ainda no clima da minha última coluna no Monalisa, onde dissertei sobre o ASN (Amigo sem noção) e a pedidos, vou falar dessa síndrome que infelizmente atinge também as mulheres, a SPSN (Síndrome da Pessoa Sem Noção), como se já não bastasse a TPM.

A doença quando atinge o sexo feminino sofre uma mutação, variando os efeitos (atitudes) no organismo da mulher. No entanto, isso não a torna menos sem noção. Homens e mulheres com essas características são chatos da mesma forma.

A ASN que se acha íntima: esse tipo de pessoa acha que pode falar qualquer coisa para você que fica tudo bem. Pode xingar seu namorado, pode até fingir (ou não) que dá mole pra ele, fala da sua mãe, dos seus amigos e da vida dela (essa parte por horas e horas) como se vocês fossem muito íntimas. Fala do seu cabelo, da sua roupa, sapato. Diz que você deu uma engordadinha com aquela cara de amigona dando dica.

Intimidade e gente sem noção é uma combinação drástica. Isso me lembra a mulher que vende doces. Todos os dias ela passa onde trabalho vendendo docinho e empadinha. No começo tinha aquele perfil agradável: simpática e reservada. Com pena e movidos pela gula em ver aqueles docinhos, resolvemos comprar. E se tornou uma daquelas rotinas, com direito a marcar no bloquinho para pagar no final do mês. Foi onde aconteceu a ‘intimidade’. Tenho um sério problema em perceber o ponto em que uma relação passa de cordial para mais íntima, (nesses casos específicos), o que acredito ser algo genético. Afinal, o rótulo de ‘chato e mal-humorado’ é bem constante aos que integram a minha família. Portanto, não tenho culpa se meu pensamento sempre fica mais para: “que folgada”, do que para, “simpática ela”.

Até hoje me revolto com a mulher dos doces – chamo assim porque nunca perguntei o nome, o que prova que ainda não pulei a barreira da intimidade – porque toda manhã a dita senhora resolveu discursar por cerca de 10 a 20 minutos sobre política. Se existe um cliente sendo atendido, ele tem que parar para ouvi-la e assim todas as demais pessoas presentes. Você deve estar se perguntando e a resposta é sim, já paramos de comprar doces e empadas, mas não resolveu. Não consigo odiá-la por isso, ela é sem noção, fazer o que.

Tem a ASN hipocondríaca. A família dela já morreu inteira, de tudo quanto é doença que você pode imaginar. Se você está com uma dor no dedo do pé, pode ter certeza, o tio dela começou assim e em três dias morreu.

Adora uma cena, a Amiga Sem Noção Maria do Bairro, é pior que atriz mexicana. Quando ela não é daquele tipo escandalosa, que adora avisar que está chegando. É daquelas que adora ser o que não é. Tem dia que ela está fazendo o perfil santa, então tudo a deixa chocada, estilo Sandy. Quando faz o perfil fresca, tudo é nojento. Até o sotaque muda. Faz também o perfil suicida, a vida dela é um lixo. Ninguém a ama, ninguém a quer. Você que está desempregada, sem dinheiro, com a mãe na UTI é que tem sorte. E assim segue, mas mutável que um camaleão.

Você começa a falar e ela muda o assunto, você começa a contar uma história e ela termina para você. No calor da empolgação e de vez em quando, esse tipo de atitude é suportável. O tempo todo é de matar. A frase mais comum é a clássica: “Peraí, não foi bem assim…”. A ASN com desconfiometro quebrado, é capaz de fazer você cometer um assassinado. Faz qualquer pessoa refletir sobre o porte de armas.

Existe também, claro, a ASN esponja de álcool. Bebe até não poder mais, até ninguém não mais agüentar a companhia. Cai, baba, tropeça em todo mundo, se ela fuma, queima de cigarro todos que estão passando. E quando você desiste e resolve ir para casa, cadê ela? Sumiu.

Tem aquela chata que não pega ninguém. Todos os guris que se aproximam de você são idiotas e feios. Isso ocorre porque é em você que eles estão chegando, se fosse nela tudo bem. Essa versão de ASN tem uma variante: a pegadora. Você chegou na balada, achou aquele menino bonitinho, não conta que ela ataca. A dica nesses casos é você fingir que está interessada em outro, quando a amiga da onça começar a sorrir para ele, esbarrar nele e puxar assunto, você pode mandar todos os sinais que desejar para o seu verdadeiro escolhido.

Sei que parece um pouco poético, mas ter um ASN não é tão ruim. O importante é ter amigos e respeitar a opção de cada um em ser sem noção.

Respeito você.

Beijão Gê





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