Porque fazer humor e podcast é uma arte
































O Contador de Histórias



Por Mafalda - 4 de novembro de 2010. Categorias: Sofá da Mona.

Produzido pela atriz Denise Fraga e dirigido por Luiz Villaça (ambos do antigo quadro “Retrato Falado” do Fantástico e do filme “Cristina decide casar”), O Contador de Histórias aposta no relato da vida do mineiro Roberto Carlos Ramos, ex-interno da FEBEM e ex-menino de rua, que se tornou pedagogo e afamado contador de histórias.

Família pobre e numerosa, mãe analfabeta, cotidiano miserável que atropela sentimentos e fazem esta mãe agarrar-se na nova promessa do governo para os filhos da população carente: a FEBEM. Foi no televisor preto-e-branco do vizinho que esta mãe vislumbrou alguma cor para o futuro cada vez mais sombrio de seus filhos: uma propaganda com salas de aulas com alunos engomados e bem penteados, cheios de vivacidade e alegria e a promessa de tornar “doutores” os filhos dos pobres.
Em uma equação dolorosa, escolhe dentre tantos filho, o caçula Roberto de 6 anos. Dia seguinte, lá está ela, tentando se convencer que havia feito o melhor para o menino ao deixá-lo aos cuidados do Estado na unidade da FEBEM.

A trajetória de dor, abandono e sofrimento é contada com ares irônicos que provocam sorrisos amargos e amarelos, resultado de um senso de humor típico da “mineirice” do protagonista. Quem conhece Minas Gerais como eu, sabe do que estou falando.

Apesar das visitas regulares da mãe, é evidente a degradação da estrutura dócil e afável do garoto e sua institucionalização. O semblante torna-se endurecido, o olhar distante, refratário até ao contato com a própria mãe durante as visitas. Transformação obrigatória para sua sobrevivência em um ambiente tão cruel em que impor-se ao grupo fazia a diferença entre uma vida dura ou miserável. Com o tempo, aprende a fugir da instituição (foram mais de 100 fugas), cometer delitos, furtos, a usar drogas… A promessa de tornar o menino doutor não se realizou e ele chegou aos 13 anos analfabeto.

A trajetória de destino óbvio é interrompida com o encontro com a pedagoga francesa Margherit Duvas (Maria de Medeiros). Uma inusitada e tocante aproximação, a oferta de um olhar humano e de respeito pela primeira vez na vida do menino mostra a imensa ousadia, coragem e paciência daquela minúscula mulher. A trilha torna muitos momentos ainda mais tocantes. Mérito de André Abujamra e Márcio Nigro. Tão pequenina, de fala mansa e sotaque engraçado, mas com força e precisão para talhar a pedra embrutecida em forma de menino e transformá-lo em um bom homem. O mesmo bom homem que talvez esteja esperando para nascer do íntimo de tantos e tantos milhares de Roberto Carlos que se empilham nas instituições e se amontoam pelas ruas.

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